Finanças

Alckmin propõe parceria estratégica com Rússia e avalia comércio bilateral como aquém do potencial

Vice-presidente defende ampliação da cooperação ao lado do premiê russo, Mikhail Mishustin

Agência O Globo - 05/02/2026
Alckmin propõe parceria estratégica com Rússia e avalia comércio bilateral como aquém do potencial
Alckmin propõe parceria estratégica com Rússia e avalia comércio bilateral como aquém do potencial - Foto: Reprodução

Ao abrir uma reunião de alto nível com autoridades russas nesta quinta-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que “parcerias sólidas não dependem apenas da conjuntura, mas de interesses estruturais bem compreendidos”. Sem citar temas delicados, como o conflito entre Rússia e Ucrânia, Alckmin ressaltou as características estruturais das duas economias e o potencial ainda não totalmente explorado da relação bilateral.

— Brasil e Rússia são economias de grande escala, dotadas de ampla base produtiva, recursos naturais estratégicos, capacidade tecnológica e mercados internos relevantes. Essa combinação cria oportunidades concretas para ampliar, diversificar e qualificar nossa cooperação econômica e comercial — afirmou o vice-presidente.

A comitiva russa é liderada pelo primeiro-ministro Mikhail Mishustin, que veio ao Brasil acompanhado de seis ministros. Mishustin representa o presidente Vladimir Putin, impedido de viajar ao exterior devido a um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

Durante o encontro realizado no Itamaraty, seguido por um almoço com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Alckmin frisou que, apesar de relevante, o comércio bilateral ainda está aquém do potencial. Também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, ele apontou como prioridades na agenda bilateral a cooperação internacional, o fortalecimento do agronegócio, energia, ciência, tecnologia e inovação, infraestrutura, logística e desenvolvimento sustentável.

— Em todas essas áreas, buscamos promover integração produtiva, parcerias empresariais e cooperação tecnológica — declarou.

Segundo Alckmin, o comércio bilateral atingiu cerca de 11 bilhões de dólares em 2025, valor expressivo, porém modesto diante das capacidades produtivas, tecnológicas e logísticas de Brasil e Rússia. Ele destacou o desafio de aumentar o intercâmbio com mais equilíbrio e maior valor agregado.

— Esperamos que, a partir das orientações aqui definidas, essas subcomissões avancem na ampliação e diversificação do comércio bilateral, no estímulo a investimentos produtivos e na cooperação e promoção de parcerias capazes de gerar crescimento sustentável e de benefício mútuo para nossas economias — afirmou.

Ao abordar a política econômica do governo, Alckmin destacou a estratégia de neoindustrialização. “O governo brasileiro tem adotado uma política consistente de neoindustrialização, baseada em inovação, sustentabilidade e inclusão. Queremos uma indústria mais verde, mais digital e mais integrada às cadeias globais de valor”, disse, acrescentando que vê com “grande interesse a ampliação de investimentos russos no Brasil, especialmente em setores como química, fertilizantes, energia, equipamentos industriais e infraestrutura”.

O vice-presidente também apontou oportunidades para ampliar a presença de empresas brasileiras na Rússia, em segmentos como alimentos processados, máquinas, equipamentos, dispositivos médicos, tecnologia agrícola e soluções industriais. Para isso, defendeu o fortalecimento dos canais institucionais, a redução de obstáculos logísticos e o aprofundamento do diálogo técnico.

Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Rússia somou US$ 10,9 bilhões. As exportações brasileiras alcançaram US$ 1,5 bilhão, o equivalente a 0,4% do total exportado pelo país, com alta de 5% em relação a 2024. Os principais produtos enviados foram carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, café não torrado e soja.

No mesmo período, as importações brasileiras provenientes da Rússia totalizaram US$ 9,4 bilhões, com destaque para óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos e adubos ou fertilizantes químicos. O valor representa uma queda de 14,2% em comparação a 2024, quando foi registrado US$ 10,9 bilhões.