Finanças
Indústria cresce apenas 0,6% em 2025, sustentada pelo setor extrativo
Produção de petróleo e minério evitou retração maior. Em dezembro, indústria recuou 1,2%.
Após registrar avanço de 3,1% em 2024, a indústria brasileira desacelerou e encerrou 2025 com crescimento modesto de 0,6%. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento na produção de petróleo e minério, que impediu um resultado negativo para o setor. Apesar disso, a indústria opera atualmente em um nível 16,3% inferior ao recorde alcançado em 2011. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira pelo IBGE.
No mês de dezembro, a produção industrial apresentou queda de 1,2%, reforçando a tendência de arrefecimento observada desde setembro. Esse foi o recuo mais acentuado desde julho de 2024, quando houve retração de 1,5%.
De acordo com André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, os números refletem uma clara perda de ritmo do setor industrial ao longo de 2025. No primeiro semestre, houve expansão de 1,2%, mas a atividade estagnou na segunda metade do ano.
Juros altos freiam a atividade industrial
Para Macedo, o desempenho fraco é consequência direta do elevado custo do crédito. Com a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano — maior patamar desde 2006 —, o consumo é desestimulado e as empresas adiam produção e investimentos.
— Esse menor dinamismo guarda uma relação importante com a política monetária mais restritiva, especialmente marcada pelo aumento na taxa de juros, o que impacta diretamente as decisões de investimento das empresas e de consumo das famílias — explica Macedo.
Petróleo cresce, mas indústria de transformação recua
Dos quatro grandes grupos analisados pelo IBGE, dois fecharam o ano em alta. Bens de consumo duráveis, como carros e eletrodomésticos, cresceram 2,5%. Já os bens intermediários, que englobam insumos industriais como aço, papel e produtos químicos, subiram 1,5%.
Por outro lado, segmentos ligados ao consumo cotidiano das famílias e aos investimentos das empresas registraram retração. A produção de bens de consumo semi e não duráveis — como alimentos, bebidas, vestuário e produtos de higiene — caiu 1,7%. A de bens de capital, que inclui máquinas e equipamentos, recuou 1,5%.
Entre os 25 ramos acompanhados pelo IBGE, 15 apresentaram crescimento em 2025. Os destaques positivos foram a indústria extrativa, impulsionada pela maior produção de petróleo e minério (alta de 4,9%), e o setor de alimentos, que avançou 1,5%.
Na contramão, dez atividades encolheram. O segmento de refino de petróleo, combustíveis e biocombustíveis registrou a maior queda, com retração de 5,3%. O resultado evidencia um descompasso na cadeia do petróleo: enquanto a extração cresceu, o refino e a transformação em combustíveis perderam força ao longo do ano.
— O setor extrativo, especialmente impulsionado pelo petróleo, é o principal destaque positivo. É o que garante o avanço do total do setor industrial, ao passo que a indústria de transformação teve uma perda de 0,2% em 2025 — avalia Macedo.
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