Finanças

Chefe da divisão de parques é escolhido CEO da Disney

Josh D'amaro sucede Bob Iger como diretor-executivo da gigante do entretenimento, encerrando busca de três anos para substituir seu líder de longa data

Agência O Globo - 03/02/2026
Chefe da divisão de parques é escolhido CEO da Disney
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Walt Disney confirmou que Josh D’Amaro sucederá Bob Iger como diretor-executivo (CEO) da gigante do entretenimento, encerrando uma busca de três anos para substituir seu líder de longa data. D’Amaro, veterano de 28 anos na Disney, substituirá Iger com efeito a partir de 18 de março, informou a empresa sediada em Burbank, Califórnia, nesta terça-feira, em comunicado.

Chefe da divisão de parques temáticos da Disney desde 2020— de longe a unidade que gera a maior fonte de lucro da companhia —, D’Amaro, de 54 anos, foi escolhido entre vários candidatos internos que estavam cotados para suceder Iger. Entre eles estavam Dana Walden, copresidente de entretenimento e chefe de TV; Alan Bergman, também copresidente de entretenimento e chefe de cinema; e Jimmy Pitaro, presidente da ESPN.

Dana Walden foi nomeada para um novo cargo como presidente e diretora-chefe de criação (chief creative officer) da Disney. Ela se reportará diretamente a D’Amaro, que também foi nomeado para o Conselho de Administração do grupo.

Segundo a empresa, Iger vem orientando pessoalmente possíveis sucessores, numa tentativa do conselho de garantir que a sucessão ocorra sem problemas após esforços mal-sucedidos no passado. Ele comandou a maior empresa de entretenimento do mundo de 2005 a 2020 e retornou ao cargo de CEO em 2022.

Durante seu primeiro mandato, o contrato de Iger foi prorrogado várias vezes, frustrando as expectativas de executivos vistos como herdeiros naturais. Iger permanecerá no conselho e atuará como conselheiro sênior até sua aposentadoria da companhia, em 31 de dezembro, informou a empresa.

—Josh D’Amaro possui aquela rara combinação de liderança inspiradora e inovação, um olhar aguçado para oportunidades estratégicas de crescimento e uma profunda paixão pela marca Disney e por suas pessoas — tudo isso o torna a pessoa certa para assumir o comando como o próximo CEO da Disney — disse o presidente do conselho da Disney, James Gorman.

D’Amaro ingressou na Disney em 1998, após ter trabalhado anteriormente na fabricante de lâminas de barbear Gillette. Ele foi promovido dentro da hierarquia dos parques temáticos da empresa, atuando em cargos de liderança em resorts na Califórnia, em Hong Kong e na Flórida.

Como presidente do que a empresa chama de divisão de experiências (Experiences), D’Amaro lidera um investimento de US$ 60 bilhões para expandir os resorts da Disney e quase dobrar sua frota de navios de cruzeiro. Ele também liderou a compra de uma participação de US$ 1,5 bilhão na Epic Games, editora do jogo Fortnite.

Vendas recordes nos parques

Na segunda-feira, a Walt Disney divulgou vendas e lucro que superaram as estimativas no primeiro trimestre de seu ano fiscal, impulsionados por uma receita recorde de US$ 10 bilhões da divisão que inclui parques e cruzeiros. A maior parte dos lucros da empresa no trimestre foi gerada pela unidade de parques e cruzeiros, liderada por D’Amaro.

O lucro da unidade de parques cresceu 6% em relação ao ano anterior, para US$ 3,3 bilhões, impulsionado por maior frequência, maior gasto dos visitantes e pela adição de um novo navio de cruzeiro, informou a empresa em comunicado.

Na divisão de entretenimento, liderada por Dana Walden e Alan Bergman, o lucro caiu mais de um terço, para US$ 1,1 bilhão. O resultado foi pressionado pela queda da publicidade política nos canais de televisão e nos serviços de streaming da Disney, bem como pelos custos de marketing ligados ao lançamento da nova franquia do filme Avatar, de James Cameron. A Disney havia sinalizado em novembro que a unidade de entretenimento incorreria nesses custos pontuais.

O lucro da divisão de esportes, liderada por Jimmy Pitaro, recuou 23%, para US$ 191 milhões, afetado por taxas mais altas de direitos de transmissão para novos pacotes da NBA e de esportes universitários. As taxas pagas por assinantes na divisão que inclui a ESPN também caíram.

Segundo o comunicado, as vendas totais da empresa cresceram 5%, para US$ 25,98 bilhões.

Para o trimestre atual, a Disney prevê que o lucro operacional na divisão de entretenimento fique estável em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa, no entanto, espera um lucro de US$ 500 milhões em seu negócio de TV por streaming, um aumento de US$ 200 milhões em relação ao mesmo período do ano anterior.

O lucro operacional da unidade de parques deve apresentar crescimento “modesto”, devido aos custos associados a um novo navio e aos desafios para atrair visitantes internacionais, informou a Disney. Já os lucros da divisão de esportes serão US$ 100 milhões menores, em razão das taxas mais altas de direitos de transmissão.