Finanças

Banco Central divulga ata do Copom e sinaliza corte de juros em março

Na semana passada, BC indicou possível início do ciclo de corte da Selic na próxima reunião, prevista para março

Agência O Globo - 03/02/2026
Banco Central divulga ata do Copom e sinaliza corte de juros em março
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Banco Central divulgou, nesta terça-feira, a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) referente a janeiro, realizada na semana passada. O documento reforça a intenção do colegiado de iniciar o ciclo de redução da taxa Selic na próxima reunião do Copom, marcada para março, mas ressalta que os juros devem permanecer em patamar restritivo para garantir a convergência da inflação à meta de 3,0%.

"O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária", afirmou o Copom em comunicado divulgado após a reunião da última quarta-feira.

Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, desde junho de 2025. Desde então, ocorreram cinco reuniões, nas quais o Banco Central manteve uma postura cautelosa para garantir o controle da inflação, mesmo diante de pressões crescentes do governo.

Na avaliação da autoridade monetária, a estratégia adotada tem sido eficaz para assegurar a convergência da inflação, destacando um ambiente de inflação mais baixa e maior evidência na transmissão da política monetária.

"O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros."

A inflação encerrou 2025 em 4,26%, dentro do intervalo da meta estabelecida, que vai até 4,5%. Para o horizonte relevante, atualmente o terceiro trimestre de 2027, o Banco Central projeta uma desaceleração para 3,2%.

Segundo o BC, "nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação".

O documento também ressalta que a atividade econômica segue em trajetória de moderação do crescimento, conforme o esperado, embora o mercado de trabalho ainda demonstre resiliência. O BC manteve a avaliação de que as expectativas de inflação permanecem desancoradas. De acordo com o Boletim Focus, as expectativas são de 4,0% para este ano e 3,80% em 2027. Para 2028 e 2029, as projeções estão em 3,50%.

"O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho."