Finanças

Indicado de Haddad para o BC defendeu mudança na 'postura' da política monetária e disse que Selic em 15% reduziu o crédito

Declarações foram feitas por secretário em novembro, em entrevista sobre indicadores econômicos

Agência O Globo - 03/02/2026
Indicado de Haddad para o BC defendeu mudança na 'postura' da política monetária e disse que Selic em 15% reduziu o crédito
Indicado de Haddad para o BC defendeu mudança na 'postura' da política monetária e disse que Selic em 15% reduziu o crédito - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, , defendeu uma mudança na “postura” da política de juros conduzida pela autoridade monetária.

Apesar da indicação de Haddad, cabe a escolher o próximo diretor do BC. O nome irá passar por sabatina e votado pelo Senado. Há duas vagas abertas no BC e uma delas é na Diretoria de Política Econômica, responsável por fornecer o embasamento técnico das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre Selic e atuar na comunicação da política monetária. A outra vaga é na Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução.

Em entrevista à imprensa para apresentar as previsões do governo para indicadores macroeconômicos, como PIB e inflação, Mello disse que dados do Executivo apontam para um cenário em que será possível ter uma mudança na “postura” do BC.

— O ministro tem confiança nessa trajetória que nossos números, números do BC, e até, em certa medida, os números do mercado mostram, que é o seguinte: vamos ter uma convergência da inflação para meta (de 3%), ela vai levar tempo, não vai ser imediata, assim como vamos ter um ciclo compatível com o nosso potencial daqui para frente. E essa trajetória é uma trajetória benigna que possibilita uma mudança na postura da política monetária — disse o secretário de Política Econômica da Fazenda.

A discussão, afirmou, gira em torno do momento do corte nos juros:

— (A mudança na trajetória) Não (seria) também imediata, de ultra restritiva para neutra ou expansiva, não é isso que se fala. O questionamento não é acerca da trajetória, isso todo mundo concorda. A discussão gira em torno do momento, de quando.

Segundo Mello, estabelecer a Selic, taxa básica de juros, em 15% ao ano é uma foi uma posição “ultra restritiva” do BC, que levou a um cenário de retração no mercado de crédito.

— As políticas, tanto fiscal quanto monetária, têm produzido efeitos reais, portanto a taxa de juros, de fato, tem impactado o mercado de crédito, não é um impacto pequeno. É um impacto, inclusive, que já faz a gente entrar no campo da retração, não da desaceleração do mercado de crédito — afirmou em novembro.

No Copom da semana passada, o BC sinalizou o corte na taxa de juros na reunião de março.

Indicação de Haddad

O nome do secretário foi apresentado por Haddad à Lula para uma vaga na diretoria do BC. A decisão final, no entanto, cabe ao presidente, que ainda vai deliberar sobre o tema. O presidente já seguiu indicações do ministro ao BC em outros momentos, como no caso de Gabriel Galípolo, atual presidente da autoridade monetária, e ex-secretário-executivo de Haddad.

Mello está hoje à frente da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, núcleo responsável pelas projeções oficiais de inflação, crescimento e resultado fiscal que embasam decisões e propostas do governo. É dessa área que saem os cenários e simulações usados na calibragem de medidas econômicas e na resposta a choques externos.

Agentes do mercado, no entanto, têm encarado a possível indicação com reticências, devido ao perfil considerado heterodoxo do secretário.

Na entrevista de novembro, Mello foi questionado se seria necessário esperar a projeção chegar ao centro da meta (3%) para iniciar o corte de juros. O secretário respondeu que existe um espaço de avaliação, feita pelo Copom.

— Esse pode ser um fator que eles avaliam, mas não há automatismo sobre esse tema.

Cadeiras vagas

No momento, que duas cadeiras da diretoria do seguem sem titulares desde o final do ano passado. Uma delas é a Diretoria de Política Econômica, hoje ocupada interinamente por Paulo Picchetti, diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos. A área é responsável pelos cenários macroeconômicos que orientam as decisões de juros e pela elaboração dos principais documentos técnicos do Comitê de Política Monetária (Copom).

A outra vaga é a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, que acompanha a estrutura do sistema financeiro e conduz processos de resolução de instituições. O posto está sob interinidade de Gilneu Vivan, diretor de Regulação.