Finanças

Para dizer 'sim': EXTRA traz guia completo sobre quanto custa um casamento no Rio

Levantamento feito pela plataforma especializada Casar.com afirma que noivos costumam desembolsar mais de R$ 61.189 na festa dos sonhos, abaixo da média nacional, que chega a R$ 65.631

Agência O Globo - 01/02/2026
Para dizer 'sim': EXTRA traz guia completo sobre quanto custa um casamento no Rio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Para dizer o tão sonhado "sim", os casais precisam preparar não apenas o coração, mas também o bolso. No ano passado, o valor médio gasto com a celebração no Brasil chegou a R$ 65.631, segundo um levantamento feito pela plataforma Casar.com. No Rio de Janeiro, o custo ficou levemente abaixo da média nacional, com os noivos desembolsando R$ 61.189. Ainda assim, festejar a troca de alianças segue sendo um desejo para muitos brasileiros: a plataforma projeta que os casamentos movimentem cerca de R$ 32 bilhões no país neste ano.

Mesmo em um cenário de endividamento elevado e juros altos, o setor deve alcançar a marca de 472 mil cerimônias, mantendo a estabilidade observada em 2024. Na avaliação de Leonardo Casartelli, diretor de Growth Marketing do Casar.com, o matrimônio deixou de ser encarado como um evento de excessos, com os noivos fazendo escolhas mais conscientes.

— Nossos dados mostram que 64% dos casais não se endividaram para casar. Mais da metade contou com algum apoio familiar e apenas uma minoria precisou usar integralmente uma reserva emergencial. Um exemplo é o casal que ajusta o número de convidados para não comprometer o orçamento — diz Casartelli.

A dona de casa Karen de Oliveira, de 24 anos, casou-se no ano passado com Hugo Romeiro, de 25, e optou por uma festa mais simples para não comprometer as finanças. Ela abriu mão do vestido de noiva tradicional e produziu as lembrancinhas dos convidados. No total, gastou cerca de R$ 17 mil. Ainda assim, não foi fácil fazer tudo caber no bolso.

— Eu já sabia que seria um valor alto, porque, quando se fala em casamento, as pessoas sabem que os custos costumam ser elevados. Foi difícil encontrar opções para quem não quer gastar tanto, porque o casamento ainda é visto como algo muito grande — relata a dona de casa.

Planejar é necessário

Assim como Karen, muitos casais precisam de planejamento para evitar que a celebração se transforme em um problema. Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin), reforça que essa organização é fundamental para que o pós-casamento não vire um pesadelo:

— Quando não planejamos e vamos fazendo, vamos gastando, não dá certo, porque vai faltar dinheiro. Se falta dinheiro, temos endividamento; Tendo endividamento, temos juros e multas por atraso de pagamentos, e o transtorno já começa.

A pedido do EXTRA, o especialista listou algumas orientações para a celebração de um casamento sem baque no orçamento. São elas:

Faça o diagnóstico financeiro e defina o orçamento: Mapeie todos os custos envolvidos — desde vestido e maquiagem até salão e bufê — e entenda o valor real de cada item/serviço. Esse é o momento de definir o que o casal deseja para a festa e colocar tudo na ponta do lápis, tendo em mente quanto será necessário economizar por mês até a data do casamento e que cada escolha implica em uma renúncia.

Estabeleça prazos: A poupança para o casamento deve começar a ser feita, de preferência, com 20 a 36 meses de antecedência. Quanto maior o prazo de planejamento, menor tende a ser o sacrifício financeiro ao longo do tempo.

Não se esqueça do pós-casamento: Lembre que as despesas com o casamento não terminam com a festa. Há gastos com a lua de mel e com o início da vida a dois, como contas de luz e compras no supermercado.

Escolha como será a celebração: Defina o local e o formato do casamento. Banda, coral ou DJ? Almoço, ou jantar? Apenas a cerimônia religiosa ou uma comemoração restrita à família e aos amigos mais próximos? Também é possível optar por uma grande festa. Todas as opções são viáveis, desde que os custos estejam claros e alinhados ao valor que o casal pode investir.

O que pesa mais no bolso?

Tanto para quem já se casou quanto para quem ainda vai trocar alianças, o desafio é o mesmo: subir ao altar e celebrar a união sem afundar as finanças. Entre as principais estratégias está o cuidado com a lista de convidados, já que serviços como bufê costumam cobrar por pessoa.

O levantamento feito pela plataforma Casar.com aponta um aumento no percentual de casamentos com de 51 a cem convidados de um ano para o outro. Em 2025, 37,8% das celebrações tiveram esse porte, ante 30,4% no ano anterior. Por outro lado, houve queda no número de cerimônias com de 201 a 500 pessoas, que passaram de 13,1% em 2024 para 8,3% no ano seguinte. Ainda assim, há outras medidas adotadas pelos noivos para manter o orçamento sob controle.

— Outra estratégia frequente é concentrar o orçamento em poucos fornecedores-chave e simplificar o restante. Também vemos mais planejamento ao longo do tempo, com pagamentos parcelados de forma organizada e menos decisões tomadas de última hora — afirma Casartelli.

Promoções

A fonoaudióloga Bárbara Juliana Coutinho, de 25 anos, está se preparando para o casamento com Lucas Custódio, de 26, em setembro deste ano. Uma das estratégias do casal para reduzir despesas foi aproveitar as promoções da Black Friday de 2024 para contratar os serviços. Considerando apenas o salão de festa — localizado na Ilha do Governador — e os itens incluídos no serviço oferecido, como o bufê, ela estima ter gasto até agora algo em torno de R$ 55.500.

— Comecei a me preparar para a festa há dois anos, porque, como é algo caro, preferimos diluir os gastos ao longo desse período. Já fechamos tudo e, em princípio, não deve surgir nenhum custo extra, a não ser com as lembrancinhas, que nós mesmos vamos fazer. Sobre os convites, como também é algo muito caro, resolvemos que não vamos imprimi-los para todos os convidados, apenas para os parentes — diz a jovem, que está em contagem regressiva para o grande dia.

Gastos não param no casório

Os gastos dos noivos não acabam com a festa. Depois da troca de alianças e de toda a celebração, entra em cena outro item importante: a lua de mel. De acordo com o levantamento feito pela Casar.com, o custo-benefício é o principal fator na escolha do destino para 80% dos entrevistados.

Quando o assunto é viagem, sete em cada dez casais preferem permanecer no Brasil, com destaque para Gramado (RS), Maceió (AL) e Porto de Galinhas (PE), que concentram, respectivamente, 5,53%, 4,43% e 2,95% das escolhas.

Entre os destinos internacionais, Itália e Punta Cana aparecem entre os mais procurados, com 4,9% e 3,8%.

Em relação ao investimento, quase a metade dos casais (46%) planeja desembolsar até R$ 5 mil com a viagem. Outros 28,8% pretendem gastar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil no passeio, enquanto 12,8% projetam uma despesa de até R$ 15 mil.

Além dos noivos, os convidados precisam reservar espaço no orçamento para os presentes de casamento. Entre 2024 e 2025, o valor médio subiu 6,6% em todo o país, chegando a R$ 418,93, segundo a plataforma. No Rio de Janeiro, no entanto, o custo ficou bem abaixo da média nacional no ano passado, com um valor médio estimado de R$ 179,90.

Depoimento de quem sabe

A assessora e cerimonialista de eventos Yasmin Campos afirma:

— A parte financeira é uma das maiores preocupações dos noivos, independentemente da condição dos clientes, porque eles geralmente não fazem ideia de quanto custa um casamento. Nessa hora, o papel da cerimonialista é fundamental, pois trabalhamos com o orçamento que os noivos têm disponível.

A profissional observa que, "de uma festa mais sofisticada até uma mais simples, tudo vai depender do perfil dos noivos, do que eles sonham e do quanto podem investir."

— Há festas, por exemplo, em que o investimento fica em R$ 20 mil, mas há outras em que o valor chega a R$ 200 mil — explica.

Campos diz que os noivos costumam procurá-la para organizar a festa com cerca de um ano de antecedência. E faz um alerta para os casais que costumam deixar tudo para a última hora:

— No entanto, quanto menor o tempo até a celebração, menor a possibilidade de diluir o preço ao longo do período. Ainda assim, é possível organizar casamentos em pouco tempo. Eu mesma já organizei em poucos meses.

Quanto às tendências, a cerimonialista detalha que "o público tem investido bastante em atrações para a festa, e há também a questão dos convites."

— Como estamos em uma era digital, muitas coisas têm migrado para o ambiente digital. Hoje, por exemplo, a lista de presentes virtual é uma realidade. Quando o casal vai fazer o site para o casamento, há essa opção — afirma, acrescentando: — Nesse caso, os valores são convertidos em dinheiro e repassados aos noivos. Às vezes, eles preferem usar esse valor na lua de mel ou em algum item em que queiram investir.

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