Finanças
Diretor do Banco Central revela que Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa na liquidação
Banco de Daniel Vorcaro foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025
O diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton Aquino, afirmou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o Banco Master dispunha de apenas R$ 4 milhões em caixa no momento em que teve sua liquidação extrajudicial decretada pela autoridade monetária, em novembro do ano passado.
O depoimento foi colhido em dezembro de 2025, por determinação do ministro Dias Toffoli, do STF.
— Dada a crise de liquidez do Master, e com R$ 80 bilhões, o acompanhamento por parte da supervisão era fundamental (...). Para pontuar isso claramente, um banco de R$ 80 bi tem liquidez de R$ 3 bi, R$ 4 bi livres. O Master antes da liquidação só tinha R$ 4 milhões em caixa — relatou Aquino a Ubiratan Cazetta, chefe de gabinete do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Ailton Aquino também destacou que o Banco de Brasília (BRB) deverá realizar uma provisão superior a R$ 5 bilhões em seu balanço, devido à existência de ativos inexistentes do Master. Segundo o diretor, o banco estatal do Distrito Federal ainda mantém ao menos R$ 2,3 bilhões em créditos do Banco Master que são considerados inexistentes, além de ativos classificados como ilíquidos ou de difícil recuperação.
— A dimensão da provisão dentro do balanço do BRB será de elevada monta. (...). A probabilidade é que seja mais de R$ 5 bilhões de ajuste — afirmou Aquino à delegada Janaina Palazzo, da Polícia Federal, durante o depoimento.
O diretor explicou à PF que, após o BC identificar que a carteira de crédito do Master adquirida pelo BRB era composta por "créditos inexistentes", o então presidente do banco estatal do Distrito Federal iniciou um processo de internalização dos créditos, ou seja, a troca dos créditos inexistentes por ativos do Master com lastro. No entanto, Aquino ressaltou que o BRB não conseguiu encontrar ativos suficientes para cobrir o rombo.
— No curso do processo, ele não consegue internalizar tudo, chamar todos os ativos, trocar. (...) Mostramos claramente que ainda da Tirreno, dentro do balanço do BRB, há mais de R$ 2,3 bilhões que não se conseguiu trocar por ativos possíveis dentro do Master, ou seja, não havia mais ativos disponíveis no balanço do Master para a troca — detalhou Aquino.
A pedido do Ministério Público Federal, o Banco Central realizou uma auditoria nas substituições de ativos do Master feitas pelo BRB em 2024 e 2025, concluindo que é necessário provisionar cerca de R$ 2,6 bilhões provenientes de créditos falsos da empresa Tirreno no balanço do BRB.
O diretor do BC mencionou um ofício encaminhado ao STF, resultado das auditorias solicitadas pelo Ministério Público Federal sobre as carteiras de crédito do Master adquiridas pelo BRB entre 2024 e 2025:
— Neste ofício (enviado ao STF), há um relato do Banco Central, no qual deixamos claro que deve-se provisionar quase R$ 2,6 bilhões de Tirreno dentro do balanço do BRB, porque R$ 2 bilhões são originários da Tirreno e há mais R$ 580 milhões que não foram recebidos da Tirreno. Então, aqui já temos quase R$ 2,7 bilhões de provisão e, em virtude da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu buscar no Master, ponderamos que faltam mais. Deve ser feita uma provisão adicional de R$ 2,2 bilhões — declarou Aquino.
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