Finanças
Correios reabrem plano de demissão voluntária para cerca de 10 mil funcionários
Programa de demissão voluntária pode alcançar 15 mil desligamentos até 2027; estatal prevê economia de R$ 2,1 bilhões por ano
Os Correios vão reabrir, na próxima semana, as inscrições para o Plano de Desligamento Voluntário (PDV), voltado a cerca de dez mil funcionários ainda em 2024. A medida integra o plano de recuperação financeira da estatal, que busca conter gastos e equilibrar as contas.
De acordo com o plano apresentado em dezembro, a expectativa é de que até 15 mil empregados participem do programa até 2027. A previsão é que os desligamentos gerem uma economia anual de R$ 2,1 bilhões aos cofres da empresa.
As demissões devem ocorrer entre 2026 e 2027, sendo aproximadamente 10 mil desligamentos neste ano e mais cinco mil no próximo. A participação é voluntária e, segundo os Correios, as inscrições para o PDV 2026 estarão abertas até 31 de março, com os desligamentos concluídos até o fim de maio.
As regras para adesão ao PDV exigem que o funcionário tenha, no mínimo, dez anos de efetivo exercício na empresa e remuneração recebida em pelo menos 36 dos últimos 60 meses. Além disso, o colaborador deve ter menos de 75 anos até a data do desligamento.
Além das demissões, o plano de recuperação prevê o fechamento de mil agências deficitárias, com economia estimada de R$ 2,1 bilhões.
Apesar das medidas, a estatal projeta um déficit de cerca de R$ 9 bilhões em 2025. Segundo o presidente dos Correios, o prejuízo pode ser ainda maior no próximo ano, com expectativa de retorno ao lucro apenas a partir de 2027.
O pacote de ações tem como objetivo reverter 12 trimestres consecutivos de prejuízos. Atualmente, os Correios enfrentam um déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões ao ano, principalmente devido à universalização dos serviços postais em regiões remotas.
Principais medidas anunciadas:
- Empréstimo de R$ 12 bilhões (R$ 10 bilhões em 2024 e R$ 2 bilhões em 2026);
- Operação de crédito adicional de R$ 8 bilhões em 2026;
- Plano de demissão voluntária para 15 mil funcionários, com economia anual de R$ 2,1 bilhões;
- Revisão dos planos de saúde, gerando economia de R$ 700 milhões;
- Fechamento de mil agências deficitárias e redesenho da malha, com impacto positivo de R$ 2,1 bilhões;
- Novas parcerias e diversificação de atividades (serviços financeiros e seguros), com ganho esperado de R$ 1,7 bilhão;
- Venda e alienação de imóveis e ativos, com receita estimada de R$ 1,5 bilhão;
- Empréstimo de R$ 4,4 bilhões com o banco dos Brics para modernização de serviços e tecnologias;
- Contratação de consultoria para revisão do modelo organizacional e societário.
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