Finanças

Setor público encerra 2025 com déficit de R$ 55 bilhões e dívida chega a 78,7% do PIB

Passivo que abrange governo federal, INSS e governos estaduais e municipais está em R$ 10 trilhões

Agência O Globo - 30/01/2026
Setor público encerra 2025 com déficit de R$ 55 bilhões e dívida chega a 78,7% do PIB
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 55 bilhões em 2025, conforme dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central (BC). O resultado representa um aumento de 15,5% em relação ao déficit de R$ 47,6 bilhões registrado em 2024.

Os números do setor público consolidado consideram os resultados fiscais da União, estados, municípios e empresas estatais, excetuando o setor financeiro e a Petrobras.

O déficit primário ocorre quando as despesas do governo superam suas receitas provenientes de tributos e impostos. Para as empresas estatais, o cálculo leva em conta receitas e despesas de serviços e produtos.

O resultado de 2025 reflete déficits de R$ 58,7 bilhões do governo federal e de R$ 5,9 bilhões das estatais, compensados por um superávit de R$ 9,5 bilhões dos estados e municípios.

O déficit acumulado no ano passado corresponde a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB).

Considerando o critério nominal, que inclui as despesas com juros da dívida pública, o déficit alcançou R$ 1.062,6 bilhões (8,34% do PIB), ante R$ 998 bilhões (8,47% do PIB) em 2024.

Dívida bruta em alta

O Banco Central também informou que a dívida bruta do Brasil voltou a crescer em 2025, atingindo R$ 10 trilhões — o equivalente a 78,7% do PIB. O aumento representa 2,4 pontos percentuais do PIB em relação a 2024.

O cálculo da dívida bruta engloba o governo federal, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e os governos estaduais e municipais. Trata-se de um dos principais indicadores observados por investidores para avaliar a saúde das contas públicas.

De acordo com o BC, a elevação anual da dívida bruta foi impulsionada pelos juros nominais apropriados (alta de 8,9 pontos percentuais), pelo reconhecimento de dívidas (alta de 0,2 ponto percentual) e pela variação do PIB nominal, que teve redução de 5,7 pontos percentuais.

Dívida líquida também avança

Já a dívida líquida, que desconsidera os ativos do governo, subiu para 65,3% do PIB em 2025, somando R$ 8,3 trilhões. O crescimento foi de 4 pontos percentuais do PIB em relação ao ano anterior.