Finanças

Vorcaro se recusa a fornecer senha de celular em depoimento à Polícia Federal

Aparelho foi apreendido durante operação que apura fraudes no Banco Master

Agência O Globo - 30/01/2026
Vorcaro se recusa a fornecer senha de celular em depoimento à Polícia Federal
Vorcaro se recusa a fornecer senha de celular em depoimento à Polícia Federal - Foto: Reprodução / Internet

O banqueiro Daniel Vorcaro optou por não informar a senha de seu celular durante depoimento à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) realizado em 30 de dezembro do ano passado. O aparelho foi apreendido no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes no Banco Master.

Vorcaro foi ouvido pela delegada Janaina Palazzo, nas dependências do Supremo Tribunal Federal (STF), após determinação do ministro Dias Toffoli, relator do caso.

Durante o depoimento, a delegada solicitou autorização para acessar o conteúdo do celular do banqueiro. Vorcaro e seu advogado justificaram a negativa afirmando o desejo de preservar “relações pessoais e privadas”.

Ao recusar o fornecimento da senha, Vorcaro declarou que busca restabelecer a verdade e negou a existência de fraudes em carteiras de investimentos do Banco Master.

“O que eu mais quero é restabelecer a verdade. Essa fraude que foi colocada, ela não existiu, e não era para ter liquidado o banco. Não era para eu estar passando por isso”, afirmou o banqueiro.

Retirada de sigilo

Nesta sexta-feira (29), o ministro Dias Toffoli retirou o sigilo do depoimento de Daniel Vorcaro e do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, no inquérito que investiga as fraudes.

Em dezembro do ano passado, Toffoli determinou que a investigação sobre o Banco Master deve tramitar no STF, e não na Justiça Federal em Brasília, devido à citação de um deputado federal nas apurações — parlamentares têm foro privilegiado na Corte.

Em novembro de 2023, Daniel Vorcaro e outros investigados foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para apurar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), estatal vinculada ao governo do Distrito Federal.

Segundo as investigações, as fraudes podem somar até R$ 17 bilhões.