Finanças
Caged aponta freio na geração de empregos; economista detalha relação com juros altos
Saldo de vagas em 2025 fica abaixo do esperado e reforça sinais de desaceleração da economia causada pela política monetária
O saldo entre contratações e demissões em 2025 ficou abaixo das expectativas, registrando o menor crescimento do mercado de trabalho desde a pandemia.
Os dados do Caged, divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho, reforçam os sinais de desaceleração econômica diante do aperto monetário promovido pelo Banco Central para conter a inflação. Como efeito colateral, essa política reduz o consumo e os investimentos para expansão de negócios.
Em 2025, o crescimento do estoque de empregos formais foi de 2,71%. Para comparação, no ano retrasado, foram criadas 1,7 milhão de vagas, aumento de 3,69%.
Embora a desaceleração já fosse esperada, a geração de empregos em dezembro ficou ainda mais baixa do que previam os economistas.
Janaína Feijó, pesquisadora do FGV Ibre, explica que já se projetava um desempenho mais fraco em 2025, pois o mercado de trabalho vinha demonstrando resiliência à alta dos juros, que gradualmente atingiram 15% ao ano.
Mesmo considerando o efeito sazonal de dezembro, quando há demissões de temporários após o Natal, o resultado veio aquém das projeções médias dos analistas.
Segundo especialistas, esse cenário evidencia de forma mais clara o impacto da política monetária do Banco Central sobre o mercado de trabalho.
“Em dezembro, há ajustes nas empresas e algumas demissões, então já esperávamos um saldo negativo, mas não nessa magnitude”, afirma Feijó. “A taxa de juros elevada desestimula a contratação porque pode ser mais vantajoso investir o dinheiro. Além disso, se a economia vai mal, investidores e empreendedores tendem a adiar a expansão dos negócios.”
Os setores da indústria e do comércio foram os principais responsáveis pela queda do saldo de vagas, ambos apresentando desaceleração ao longo de 2025.
Feijó ressalta que a indústria já vinha apresentando desempenho negativo desde agosto e setembro, inicialmente relacionado ao chamado "tarifaço". “Hoje, mesmo sem tantos efeitos do tarifaço, a indústria segue com resultados ruins. Sabemos que a taxa de juros impacta diversos segmentos industriais, além de fatores ligados à política externa.”
A pesquisadora destaca ainda que os efeitos dos juros altos e da desaceleração aparecem primeiro no Caged, que monitora vagas formais mês a mês, enquanto a Pnad Contínua, do IBGE, analisa o último trimestre móvel, diluindo alguns efeitos.
Por esse motivo, a taxa de desemprego a ser divulgada na próxima sexta-feira deve continuar em níveis baixos, conforme expectativa dos analistas.
Para 2026, a previsão é de um mercado de trabalho ainda impactado pelos juros altos, mas com possíveis estímulos fiscais previstos para o primeiro semestre, além de eventos como Copa do Mundo e eleições, que podem impulsionar a economia.
André Valério, economista sênior do Inter, concorda que o Caged evidencia a influência da política monetária na desaceleração econômica. Ele avalia que os resultados estão alinhados com as projeções do Copom e com a expectativa de início do corte de juros em março.
“Esperamos um corte inicial de 0,50 ponto percentual. Porém, se a desaceleração do emprego e da atividade econômica se intensificar até a próxima reunião, junto com a valorização do real, o Copom pode discutir um corte ainda mais agressivo”, avalia o economista em relatório.
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