Finanças

Ex-presidente do BRB admite cobranças firmes a Vorcaro e diz que perícia em celular comprovará contatos

Dias Toffoli determinou a retirada do sigilo dos depoimentos, a pedido do Banco Central.

Agência O Globo - 29/01/2026
Ex-presidente do BRB admite cobranças firmes a Vorcaro e diz que perícia em celular comprovará contatos
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa - Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) afirmou, em depoimento, que realizou cobranças diretas ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, após a área técnica do BRB identificar problemas em carteiras de crédito adquiridas pela instituição.

Segundo o ex-presidente, as cobranças tiveram início quando o Banco Master deixou de manter interlocução regular com os setores técnicos do BRB responsáveis pela análise e acompanhamento das operações.

“Existe uma interação praticamente frequente e diária entre as áreas do banco com empresas que compram e vendem carteiras para o BRB. Naturalmente, quando deixa de ser atendido a contento, ou quando começamos a perceber que as áreas operacionais estão tendo dificuldade de obter acesso às informações, como executivo me cabe escalar e cobrar pessoas em nível mais alto”, declarou.

De acordo com Paulo Henrique, a cobrança era intensificada sempre que instâncias intermediárias não conseguiam obter respostas satisfatórias.

“No caso concreto, quando a gerência de sessão, quando a superintendência de sessão, quando a diretoria financeira começam a ter dificuldade, a minha cobrança é direta no presidente do outro banco”, afirmou.

Questionado se esse presidente era Daniel Vorcaro, o ex-dirigente confirmou com um gesto e acrescentou que as mensagens e contatos devem ser identificados na perícia do aparelho celular.

“A perícia no meu celular vai mostrar esses registros. E essas cobranças nem sempre foram feitas de uma maneira muito delicada, no recebimento e na busca desses documentos”, completou.

Os depoimentos fazem parte de vídeos que vieram a público após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, determinar a retirada do sigilo do material, atendendo a pedido do Banco Central.