Finanças

Haddad diz que Lula recebeu Vorcaro antes de 'indícios de crime' e disse a banqueiro que decisão do BC sobre Master seria ‘técnica’

Ministro da Fazenda afirma que Galípolo 'herdou abacaxi' da gestão de Roberto Campos Neto

Agência O Globo - 29/01/2026
Haddad diz que Lula recebeu Vorcaro antes de 'indícios de crime' e disse a banqueiro que decisão do BC sobre Master seria ‘técnica’
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Nesta quinta-feira (dia 29), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro, quando ainda não havia "indícios de crime" do Banco Master e que qualquer decisão do Banco Central (BC) sobre a instituição financeira seria ‘técnica’

— O rumor existia desde 2024, mas você não tinha indícios de crime de fraude, parecia um negócio mal feito, e aí o cara falava que estavam com ciúmes dele, que vai desafiar o sistema bancário, Itaú que se cuide. Era isso que se ouvia — disse em entrevista ao Metrópoles.

Conforme revelado pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim no ano passado, Vorcaro, se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 4 dezembro de 2024. O encontro não foi registrado na agenda oficial, nem conta nos registros de entrada do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Informações obtidas via Lei de Acesso à Informação mostram que Vorcaro esteve ao menos outras três vezes no Planalto. De acordo com a Secretaria de Comunicação Social (Secom), o banqueiro não foi recebido por Lula nem por outros ministros nessas datas registradas oficialmente.

Segundo Haddad, no encontro, Lula tratou com Vorcaro sobre o problema de liquidez do Master, e comunicou ao banqueiro que a decisão caberia ao Banco Central (BC).

— Aliás, foi o que ele disse na reunião com Vorcaro, segundo toda as testemunhas: olha, a decisão sobre você é do BC, técnica, se bem, bem, se mal, mal — afirmou Haddad, que disse não saber que Lula receberia o banqueiro — Eu nem sabia que ele iria receber, eu não conheço essa pessoa.

Haddad ainda disse que o presidente do BC, Gabriel Galípolo herdou, possivelmente, a "maior fraude bancária" da história do sistema financeiro brasileiro com o caso do Banco Master e tomou as medidas necessárias.

— O problema ganhou muita visibilidade nos órgãos de Estado em 2024. Quando o Gabriel assume a presidência do BC, ele já tem plena consciência do tamanho do abacaxi que herdou do seu antecessor, tem total clareza de que ali é a maior fraude bancária possivelmente da História do Brasil. Então, se instauraram os processos necessários para dar a solidez para as decisões que o BC precisa tomar — diz Haddad.

Segundo Haddad, a partir do momento que o governo tomou conhecimento das investigações, a orientação era de agir para que houvesse uma investigação "técnica".

— Desde o começo todo mundo do governo dizia que nós temos que fazer a coisa mais técnica possível, se trata de uma coisa muito séria, e por orientação minha, do Galípolo, e do próprio presidente da República, de levar às últimas consequências o que aconteceu.

Perguntado se houve demora para agir da gestão do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, Haddad disse que as investigações das autoridades vão encontrar eventuais omissões.

— Tem várias matérias já dizendo: o que fez a turma lá enquanto eles comparavam banco e faziam tudo isso? Quem estava cuidando disso? Eu acredito que as investigações vão levar a eventuais responsabilizações, de quem quer que seja, pode ser funcionário público, político, empresário — afirmou.

Investigação interna

Haddad ainda mencionou que a investigação interna do BC como exemplo de conduta ao ser perguntando sobre eventuais ligações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso Master.

— O BC hoje anuncia uma abertura de procedimento interno para verificar se houve alguma falha de procedimento em relação ao seu próprio corpo de servidores. É assim que uma instituição deveria agir.

O ministro da Fazenda também confirmou um almoço em dezembro, com o presidente Lula e o ministro do STF, Dias Toffoli, para tratar sobre o Banco Master. Segundo ele, na ocasião, Lula disse ao magistrado que havia uma oportunidade de demonstrar o combate à corrupção no caso.

— Ele falou que nós temos uma oportunidade de dar uma resposta, de fazer o trabalho de combate ao crime, à corrupção, pelo andar de cima. É uma oportunidade que nós temos de dar uma resposta à sociedade — contou Haddad.