Finanças

Dívida pública federal cresce 18% em 2025 e atinge R$ 8,6 trilhões

Juros elevados e aumento nas emissões de títulos do Tesouro impulsionam crescimento, aponta Ministério da Fazenda

Agência O Globo - 28/01/2026
Dívida pública federal cresce 18% em 2025 e atinge R$ 8,6 trilhões
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O estoque da dívida pública federal registrou alta de 18% em 2025, encerrando o ano em R$ 8,635 trilhões, em valores nominais. Os dados, divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional, apontam o cenário de juros elevados como um dos principais fatores para o aumento. Em 2024, o estoque era de R$ 7,316 trilhões.

Esse montante corresponde apenas à dívida do Tesouro Nacional, sem considerar débitos de estados, municípios, estatais e títulos do Banco Central – indicador mais abrangente utilizado por especialistas para avaliar a solvência do país. O resultado ficou dentro do intervalo revisado pelo Tesouro Nacional no ano passado, entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões.

O governo recorre à emissão de dívida tanto para cobrir o déficit público quanto para quitar obrigações anteriores.

No fim de 2025, a reserva de liquidez da dívida – recursos mantidos pelo governo para honrar compromissos dos meses seguintes – alcançou cerca de 9% do PIB, equivalente a R$ 1,187 trilhão. Segundo o Tesouro, esse volume garante a cobertura dos vencimentos previstos para sete meses.

“Essa reserva é suficiente para cobrir todo o primeiro semestre (R$ 764,1 bilhões, no mercado), com alguma folga para os vencimentos do segundo semestre de 2026”, informou o Tesouro Nacional.

O relatório do órgão do Ministério da Fazenda destaca que a reserva de liquidez aumentou, ampliando o número de meses de cobertura dos vencimentos da dívida.

A dívida federal é detida por instituições financeiras, fundos de investimento, contas de Previdência, governos, seguradoras e pessoas físicas.

O crescimento de 18% ocorre em meio à elevação da taxa básica de juros da economia, a Selic, que incide sobre quase metade da dívida pública. Atualmente, a Selic está fixada em 15% ao ano, maior nível em quase duas décadas, conforme decisão do Banco Central.

“Nesse contexto, a dinâmica dos juros e dos títulos públicos locais foi fortemente influenciada pelas expectativas quanto ao fim do ciclo de alta da Selic e ao início do afrouxamento monetário”, aponta o relatório do Tesouro Nacional.

O documento também ressalta que houve forte demanda do mercado por títulos da dívida pública, tornando 2025 um ano marcado pelo aumento expressivo no volume de emissões.

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