Finanças

Gleisi afirma que Lewandowski comunicou Lula sobre consultorias privadas antes de assumir ministério

Ministra diz que ex-titular da Justiça informou presidente sobre atividades privadas ao ser convidado e nega qualquer irregularidade

Agência O Globo - 28/01/2026
Gleisi afirma que Lewandowski comunicou Lula sobre consultorias privadas antes de assumir ministério
Gleisi Hoffmann - Foto: Reprodução / Instagram

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, declarou nesta quarta-feira que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ser convidado para chefiar a pasta em 2024, que mantinha consultorias privadas e que se afastaria dessas funções ao assumir o cargo. Lewandowski integrava o conselho consultivo do Banco Master antes de ser ministro, e seu escritório de advocacia também possuía contrato com a instituição.

Gleisi ressaltou não ver qualquer impedimento na atuação de Lewandowski junto ao Banco Master e destacou que foi durante sua gestão que a Polícia Federal (PF) prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro e iniciou as investigações sobre o caso.

— Ele (Lewandowski) avisou (Lula) que exercia atividades privadas, econômicas, e que precisaria se afastar. Não sei se ele mencionou especificamente o Master, mas disse: 'Olha, tenho que me afastar de atividades'. Ele deve ter comentado, mas isso não era impeditivo. Por que seria impeditivo? — afirmou a ministra a jornalistas.

Segundo Gleisi, há um movimento da oposição para tentar vincular o escândalo do Master ao governo Lula, mas, segundo ela, políticos oposicionistas também precisarão dar explicações sobre o caso.

— Fico me perguntando por que as pessoas ficam divulgando que o ministro teve contrato com o Master. Qual é o crime de você ter um contrato como esse? O que isso influencia nas apurações que o governo está fazendo? O presidente do Master (Vorcaro) foi preso na gestão do Lewandowski, que era o ministro da Justiça e estava no comando da Polícia Federal. O governo atua com total autonomia e quer que todas as responsabilidades sejam apuradas. A maioria dos envolvidos nesse processo do Master, inclusive de contratos do Master com órgãos de previdência, envolve a oposição — declarou Gleisi.

A ministra citou os governos do Distrito Federal, responsável pelo BRB — banco estatal que tentou adquirir parte do Master antes da liquidação —, e do Rio de Janeiro, em referência a fundos de pensão que investiram no banco de Vorcaro.

— A oposição também precisa explicar por que o cunhado do dono do banco (o pastor Fabiano Zettel) foi o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio (em 2022). Há muito mais explicações para a oposição dar do que para o governo. Quem mantinha relação com o Banco Master eram eles. Isso está claro. Em relação ao ministro Lewandowski, estamos muito tranquilos, assim como ele. Não há nada de irregular, imoral ou ilegal. E volto a dizer: a Polícia Federal está agindo com rigor nesse caso — concluiu Gleisi.

O pastor evangélico e investidor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, foi alvo de uma operação da PF deflagrada em 14 de janeiro. Ele chegou a ser detido no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando se preparava para embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, mas foi liberado em seguida. Seu celular foi apreendido pelos agentes.

Zettel é advogado e presidente da Moriah Asset, fundo de private equity voltado a investimentos no setor de bem-estar. Ele foi o principal doador das campanhas eleitorais de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo e de Jair Bolsonaro à presidência em 2022, tendo doado R$ 2 milhões e R$ 3 milhões, respectivamente, para os candidatos.