Finanças

INSS vai permitir reagendamento após período de suspensão de atendimento presencial em agências da Previdência Social

Segurados poderão remarcar atendimentos sem prejuízo e manter data original do pedido, diz coordenador do INSS

Agência O Globo - 27/01/2026
INSS vai permitir reagendamento após período de suspensão de atendimento presencial em agências da Previdência Social
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vai permitir que segurados realizem o reagendamento de atendimentos nas agências da Previdência Social após o período de paralisação temporária do sistema do instituto, que começa na próxima quarta-feira (dia 28). A informação foi confirmada por Flávio Souza, coordenador de gestão de benefícios do INSS Rio, ao jornal EXTRA.

Entenda:

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— Quem não conseguiu antecipar os atendimentos ou comparecer à agência poderá reagendar quando o sistema voltar, sem prejuízo, mantendo a data de entrada do requerimento — esclarece Flávio.

A paralisação vai durar três dias e tem como objetivo permitir a realização de uma manutenção no sistema previdenciário. De acordo com Flávio, a suspensão dos serviços foi comunicada pela Dataprev, empresa de tecnologia da informação responsável pelo processamento dos dados previdenciários:

— Essa ação não é uma escolha do INSS, mas uma demanda técnica apresentada pela Dataprev. O que foi informado ao instituto é que se trata de uma migração tecnológica para modernizar o Sistema Único de Benefícios, que armazena dados de concessão, atualização, revisão e pagamento de benefícios.

A Dataprev informou que vai ampliar a capacidade do sistema do INSS por meio da transferência das informações para uma plataforma mais moderna.

Segundo a empresa, o período de paralisação foi escolhido com base em “critérios técnicos, com o objetivo de minimizar impactos sobre serviços essenciais, respeitando o cronograma de concessão de benefícios e o processamento da folha de pagamentos”.

Além do atendimento presencial, os serviços digitais também ficarão indisponíveis no site e no aplicativo Meu INSS, assim como na central telefônica 135.

— A migração é complexa e, para proteger a integridade dos dados, os sistemas precisam ficar temporariamente indisponíveis — explica Flávio.

Mutirões e antecipações

O INSS adotou algumas medidas para atender segurados que tinham agendamento durante o período da paralisação. Mutirões foram realizados nos fins de semana dos dias 17 e 18 e 24 e 25 de janeiro. Segundo Flávio, nesses casos, a remarcação foi feita automaticamente.

No estado do Rio, 1.237 pessoas foram atendidas por meio dessas antecipações. As notificações foram enviadas pelo aplicativo Meu INSS, e bastava o segurado acessar a plataforma para confirmar o novo horário.

Com o retorno do serviço, o site e o aplicativo Meu INSS, a central 135 e as agências da Previdência Social devem voltar a funcionar normalmente no dia 2 de fevereiro. Com o retorno, o segurado que não conseguiu antecipar o atendimento poderá agendar uma nova data dos serviços.

— A orientação é que o segurado confira sempre as mensagens dentro do aplicativo Meu INSS, onde aparecem as comunicações oficiais — detalha Flávio.

Falhas no Meu INSS

O Meu INSS vem apresentando instabilidade desde o dia 19 de janeiro. Segundo a Dataprev, o problema ocorreu devido a um aumento superior a 200% na média diária de acessos à plataforma.

“Foram registradas 10,8 milhões de visitas à plataforma de serviços previdenciários. Em períodos regulares, o Meu INSS contabiliza cerca de 3,5 milhões de acessos diários”, informou a empresa em nota.

Entre os fatores que explicam a alta demanda está o aumento de 83,9% na consulta da margem consignável — limite da renda que pode ser comprometido com parcelas de crédito — após o reajuste dos benefícios previdenciários em 2026.

Quem recebe o piso passou a ganhar R$ 1.621, valor alinhado ao novo salário mínimo, que teve reajuste de 6,79% em 1º de janeiro, com ganho real acima da inflação. Já os aposentados e pensionistas que recebem acima do mínimo tiveram aumento de 3,90%, conforme a variação do INPC acumulado em 2025.

A Dataprev também aponta aumento no fluxo de desbloqueio de empréstimos após a entrada em vigor do Decreto nº 12.561, de 2025, que determina que, a cada nova contratação de consignado, o benefício seja automaticamente bloqueado para novas operações. Assim, o segurado precisa fazer um novo desbloqueio sempre que quiser contratar outro empréstimo.

À época, o INSS afirmou que o bloqueio recorrente faz parte de “uma série de ações adotadas para aumentar o controle na concessão do crédito consignado, priorizando a proteção dos segurados e a transparência nas parcerias com instituições financeiras”.