Finanças

Caso Master: Polícia Federal adia depoimentos de três investigados

Sócio e ex-sócio do banco afirmam que ficariam em silêncio por falta de acesso aos autos, e delegada cancela interrogatórios

Agência O Globo - 27/01/2026
Caso Master: Polícia Federal adia depoimentos de três investigados
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Federal adiou os depoimentos de três investigados no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades em operações financeiras envolvendo o Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). As oitivas estavam agendadas para esta terça-feira (27), mas foram canceladas.

Deixaram de ser ouvidos Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB; Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master; e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição. No caso de Angelo e Augusto, ambos comunicaram que permaneceriam em silêncio, alegando falta de acesso integral aos autos do inquérito, motivo pelo qual a delegada responsável decidiu cancelar os depoimentos.

O único depoimento realizado nesta terça-feira foi o de Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, Recursos Humanos e Tecnologia do Banco Master, que durou menos de 40 minutos. Na saída do Supremo Tribunal Federal (STF), onde prestou depoimento, o advogado Augusto Botelho declarou que Bull sempre esteve à disposição das autoridades.

— Respondeu todas as perguntas da autoridade policial, do Ministério Público e do juiz instrutor aqui do Supremo Tribunal Federal, com o objetivo de colaborar com as investigações — afirmou Botelho.

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa na venda de carteiras de crédito consideradas “insubsistentes” do Master ao BRB, em operações que somam pouco mais de R$ 12 bilhões.

Os investigados vêm sendo chamados a depor sobre provas reunidas pela PF nas duas fases da operação, deflagradas em novembro de 2025 e janeiro deste ano. O inquérito é supervisionado pelo STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

Na véspera, o superintendente-executivo de tesouraria do Banco Master, Alberto Felix de Oliveira Neto, também exerceu o direito ao silêncio durante depoimento à PF. Outras oitivas chegaram a ser suspensas temporariamente após pedidos das defesas, que alegaram falta de acesso completo às provas.

A investigação teve início na primeira instância da Justiça Federal e foi remetida ao STF após a apreensão de um contrato envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e um deputado federal, o que atraiu a prerrogativa de foro. O caso envolve ainda o colapso financeiro do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central no ano passado.