Finanças
Desequilíbrio no setor elétrico força corte de 20% na produção de eólicas e solares em 2025
Foram registrados 16 eventos críticos em 2025, segundo consultoria, contra apenas um no ano anterior
Em 2025, o sistema elétrico brasileiro descartou cerca de 20% de toda a energia solar e eólica que poderia ter sido gerada, segundo cálculos da consultoria Volt Robotics com base em dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Os cortes de geração representaram um prejuízo de R$ 6,5 bilhões aos empreendimentos no ano.
De acordo com a consultoria, os cortes de geração registraram forte aumento em 2025, com agosto, setembro e outubro apresentando os maiores volumes já observados na história do setor.
Houve alívio apenas em novembro e dezembro, quando o volume dos cortes diminuiu devido à transição da chamada “safra dos ventos” e a ajustes operacionais pontuais.
A Volt destaca que, em 16 dias do ano, o sistema elétrico brasileiro operou perigosamente próximo ao limite inferior de segurança, motivado pelo excesso de geração de energia renovável. Em todo o ano de 2024, esse cenário ocorreu apenas uma vez, o que revela o crescente desequilíbrio do setor.
Considera-se um dia crítico quando os cortes superam 80% da geração de referência — isto é, a energia que as usinas poderiam produzir com os recursos de sol e vento disponíveis.
A tendência era de que o problema, que se agravava até outubro, pudesse piorar ainda mais no fim de dezembro e início de janeiro, devido ao calor intenso e ao início das férias.
No entanto, segundo a Volt, algumas medidas impediram que um cenário ainda mais crítico se materializasse no final de 2025.
No Natal do ano passado, por exemplo, o despacho térmico (acionamento de usinas térmicas) foi de 6,7 GW médios, reduzindo-se para 6,3 GW médios em 1º de janeiro de 2026. Esses valores são muito inferiores aos registrados em 26 de outubro de 2025, um dos 16 dias críticos, quando o despacho térmico atingiu 11 GW médios — patamar que contribuiu para que aquele dia fosse um dos momentos de maior tensão para a segurança do sistema elétrico brasileiro, segundo o relatório.
Com a onda de calor que marcou o primeiro mês do verão, o consumo de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN) aumentou, impulsionado pelo uso intensificado de ventiladores, aparelhos de ar-condicionado e refrigeradores.
O pico de consumo ocorre em horários que agravam o descasamento entre demanda e oferta de energia, fenômeno que tem caracterizado o setor elétrico com o avanço das fontes renováveis, como eólica e solar, nos últimos anos.
Para manter o equilíbrio do sistema, o ONS opta por interromper preferencialmente parques eólicos e solares, o que impõe perdas financeiras significativas aos empreendimentos. Isso porque as empresas precisam cumprir contratos de fornecimento, adquirindo energia no mercado livre para substituir a que não puderam gerar. Representantes do setor buscam compensações financeiras do governo, que, por sua vez, resiste a concedê-las.
Segundo o relatório da Volt Robotics, o domingo de manhã se tornou o novo horário crítico para o setor elétrico. Nesse período, com comércio fechado e indústrias desaceleradas, o consumo de energia despenca, enquanto a produção de energia solar e, muitas vezes, o vento permanecem elevados.
“Domingo virou o 'teste de estresse' semanal do sistema elétrico brasileiro. Em vários dos 16 dias críticos, o padrão se repetiu: carga baixa, renováveis altas, sistema no limite”, aponta o levantamento.
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