Finanças

Reunião no Panamá reúne Lula e líderes latino-americanos em fórum inspirado em Davos

Evento do CAF reúne chefes de Estado e empresários para debater integração, comércio e segurança diante de pressões dos EUA e da ascensão de líderes conservadores no Chile e na Bolívia.

Agência O Globo - 27/01/2026
Reunião no Panamá reúne Lula e líderes latino-americanos em fórum inspirado em Davos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado de outros importantes líderes regionais e centenas de empresários, participa a partir de amanhã do Fórum Econômico Internacional do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), na Cidade do Panamá. O evento busca se consolidar como uma versão regional do Fórum Econômico Mundial de Davos, ocorrendo em meio a pressões dos Estados Unidos sobre a região.

América Latina e Caribe em transformação

Segundo o embaixador Alexandre Peña Ghisleni, diretor do Departamento de Política Econômica, Financeira e Serviços do Itamaraty, há grande expectativa para que o fórum se firme como um espaço relevante de discussão regional. "Não é uma alternativa, mas uma complementação importante a Davos", afirma o diplomata.

Estão previstos representantes de 300 empresas exportadoras da região e 150 compradores internacionais, oriundos de países como EUA, China, Alemanha, Itália, Japão, Coreia do Sul e Índia, para a rodada de negócios marcada para os dias 29 e 30.

Além de Lula e do presidente panamenho, José Raúl Mulino, participam os presidentes da Bolívia, Rodrigo Paz; do Equador, Daniel Noboa; e o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, entre outros chefes de Estado. Este será o primeiro encontro presencial de Lula com os recém-eleitos Paz e Kast, conservadores que sucedem Luis Arce (Bolívia) e Gabriel Boric (Chile), ambos de esquerda.

Tarifaço e contexto internacional

A postura de Donald Trump e a situação da Venezuela devem dominar as conversas paralelas ao evento oficial. "É interessante que o fórum ocorra no Panamá, que foi o primeiro alvo de Trump na América Latina", observa Lucas Souza Martins, professor de relações internacionais e pesquisador da Temple University, nos EUA.

A agenda de Lula inclui uma visita ao Canal do Panamá. Segundo o Itamaraty, o Brasil é o 15º maior usuário do canal, por onde transitam cerca de 7 milhões de toneladas de exportações brasileiras anualmente. Recentemente, o Brasil aderiu ao Protocolo do Tratado sobre a Neutralidade do Canal do Panamá, ainda pendente de ratificação pelo Congresso. O acordo prevê que o canal permaneça aberto, seguro e neutro para todos os navios civis e militares.

"Isso é fundamental para a liberdade de navegação e de comércio", destaca Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty.

Fernanda Cimini, diretora de Projetos do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), que estará presente ao evento, ressalta a expectativa quanto à resposta dos líderes regionais diante do risco de ruptura no sistema de regras internacionais: "A questão é se entendemos que estamos em um contexto de rivalidade, no qual a América Latina precisa se posicionar para não ser apenas uma zona de influência americana".

Crime organizado e impacto regional

Fernanda também chama atenção para o debate sobre violência e crime organizado, destacando o impacto negativo sobre a economia local: "O crime organizado afeta o investimento, a previsibilidade, a política e a democracia", afirma, lembrando que o tema é uma das justificativas usadas por Trump para possíveis intervenções dos EUA. "Ele não fala em comunismo, fala em luta contra o tráfico."

Na agenda bilateral, Lula deve assinar o Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos com o Panamá, que estabelece regras para proteção de investimentos. O país centro-americano é atualmente o sétimo maior destino de investimentos de empresas brasileiras, com um estoque de quase US$ 9,5 bilhões, segundo Gisela Padovan.

O Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe é promovido pelo CAF, com parceria de mídia do GLOBO e do Valor Econômico.