Finanças

Ex-superintendente do Banco Master fica em silêncio em depoimento à PF

A oitiva, realizada por videoconferência, durou cerca de 15 minutos

Agência O Globo - 26/01/2026
Ex-superintendente do Banco Master fica em silêncio em depoimento à PF
- Foto: Reprodução

O ex-superintendente-executivo de tesouraria do Banco Master, Alberto Felix de Oliveira Neto, optou por exercer o direito ao silêncio e não respondeu às perguntas da Polícia Federal (PF) durante o depoimento marcado para esta segunda-feira. A oitiva, realizada por videoconferência, teve duração aproximada de 15 minutos, conforme relatos obtidos pelo jornal O Globo.

Antes de permanecer em silêncio, Felix apresentou alguns esclarecimentos iniciais aos investigadores. Segundo informações apuradas pela PF, o executivo afirmou não possuir poder decisório no Banco Master e destacou que os contratos nos quais seu nome aparece — inclusive os relacionados à Tirreno — também eram assinados por executivos de hierarquia superior na instituição. Felix reforçou que atuou apenas como procurador.

De acordo com pessoas que acompanham as investigações, o funcionário do banco manifestou disposição para prestar novo depoimento após a defesa ter acesso ao conjunto de provas reunidas pela PF.

Além deste depoimento, outros dois agendados para esta segunda-feira foram adiados. Os advogados de André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza e Silva Peretto, sócios da Tirreno, conseguiram suspender temporariamente as oitivas ao alegar falta de acesso integral às provas. Ambos seriam ouvidos às 10h e às 14h, respectivamente, mas as audiências foram adiadas sem nova data definida.

A Polícia Federal havia programado para segunda e terça-feira uma série de depoimentos no âmbito das investigações sobre supostas irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), dentro da Operação Compliance Zero. Na manhã desta segunda, a PF ouviu por cerca de duas horas o ex-diretor financeiro do BRB, Dário Oswaldo Garcia Júnior.

As diligências fazem parte das apurações sobre uma negociação que teria movimentado mais de R$ 12 bilhões em ativos — carteiras de crédito que, segundo a PF, seriam supostamente "insubsistentes" e teriam sido oferecidas ao BRB em condições questionáveis. O caso está sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal (STF), onde as oitivas têm ocorrido de forma híbrida, presencial e por videoconferência.

No total, oito investigados estavam previstos para prestar depoimento até terça-feira, entre eles executivos e ex-diretores do BRB e do Banco Master, como o superintendente de operações financeiras do BRB, Robério César Bonfim Mangueira, e o executivo Luiz Antonio Bull, ligado ao Master.

A investigação apura possíveis crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. Como já noticiado, a permanência do caso no STF, em vez de ser remetido à Justiça Federal, dependerá em parte das informações colhidas nessas oitivas.