Finanças

Master não se preocupava com capital de empresa que gerou carteiras de crédito vendidas ao BRB, afirma Vorcaro

Segundo Polícia Federal, carteiras vendidas por R$ 12,2 bilhões ao banco estatal eram fraudadas

Agência O Globo - 23/01/2026
Master não se preocupava com capital de empresa que gerou carteiras de crédito vendidas ao BRB, afirma Vorcaro
Daniel Vorcaro - Foto: Reprodução

O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, declarou em depoimento à Polícia Federal (PF) que a instituição “não se preocupava” com o capital da empresa responsável pela geração de carteiras de crédito supostamente fraudadas, vendidas ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões.

Durante o depoimento, Vorcaro foi questionado se o Master verificou o capital social da Tirreno, empresa que elevou seu capital em R$ 30 milhões pouco após ser criada. O banqueiro respondeu que “acredita” que o banco não checou esse dado. “Na prática, o banco não tinha ingerência ou se preocupava com isso”, afirmou.

A delegada também perguntou se o Master realizou algum tipo de análise econômica sobre a Tirreno, cujo diretor era um ex-funcionário do banco. Vorcaro explicou que, nesse tipo de operação, a instituição se limitava a uma “análise de compliance” da empresa.

“Como não se corre o risco, como eu disse, da empresa originadora, se faz uma análise basicamente de compliance da empresa, não análise econômica, porque a empresa pode ser recém-criada, pequena etc. O banco não está dando crédito para ela, está dando crédito na ponta final, que é o cliente adquiridos financeiras da Tirreno”, detalhou Vorcaro às autoridades.

O BRB desembolsou R$ 12,2 bilhões pelas carteiras, que, segundo as investigações, eram fraudadas. O Banco Central determinou o desfazimento da operação. Conforme o depoimento, a venda foi realizada sem que o Master apresentasse os documentos necessários para comprovar a existência dos títulos. O contrato previa que o BRB assumiria sozinho o risco de inadimplência.

Vorcaro acrescentou: “A gente fez uma cessão, como várias outras que a gente tinha feito, que ainda carecia da documentação completa. Mas a gente tinha responsabilidade por qualquer vício formal pela ausência de documento, que, obviamente, quando aconteceu, a gente acabou desfazendo”, afirmou sobre a negociação das carteiras.