Finanças

Vorcaro evita citar políticos que frequentavam sua casa e rebate Polícia Federal: 'Não vejo relação com o caso'

Banqueiro confirma conversas com Ibaneis Rocha sobre negociação com o BRB, mas afirma que encontros foram institucionais

Agência O Globo - 23/01/2026
Vorcaro evita citar políticos que frequentavam sua casa e rebate Polícia Federal: 'Não vejo relação com o caso'
Daniel Vorcaro - Foto: Reprodução / Internet

O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, evitou revelar nomes de políticos que frequentavam sua residência em Brasília e negou ter solicitado qualquer tipo de ajuda política durante as negociações para a venda de sua instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB), operação posteriormente barrada pelo Banco Central. As declarações foram dadas em depoimento à Polícia Federal (PF).

O questionamento surgiu quando a delegada indagou Vorcaro sobre o aspecto político do caso e sobre suas conversas com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), a respeito da proposta de aquisição do Banco Master pelo BRB, anunciada em março de 2025. O banqueiro confirmou os contatos.

“Conversei em algumas poucas oportunidades, sim”, afirmou. Indagado sobre a quantidade de encontros com o governador, disse que Ibaneis esteve em sua casa “se não me engano, uma vez”, relatou também ter ido à residência do governador e que ambos se encontraram “poucas vezes”, sempre em conversas de caráter institucional.

Em seguida, a Polícia Federal questionou quais outros políticos, deputados ou senadores costumavam frequentar sua casa. Vorcaro preferiu não citar nomes e contestou a pertinência da pergunta.

“Não consigo nominar aqui individualmente quem frequentava a minha casa. Também não vejo qual relação com o caso”, respondeu.

Ao ser informando pela delegada de que a PF investiga justamente suas relações políticas, retrucou: “Sim, estudando as relações políticas, mas não tiveram nada a ver com esse caso específico do BRB”.

Segundo apuração do jornal O GLOBO, durante as negociações com o BRB, Vorcaro utilizava uma vasta rede de contatos políticos e relatava a pessoas próximas ter feito “fortes amigos” em Brasília, afirmando que, no Brasil, não se avança sem esse tipo de proteção.

No depoimento à PF, o banqueiro negou qualquer pedido de intervenção. “Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, não estaria aqui de tornozeleira, não teria sido preso e minha família não estaria sofrendo o que estamos sofrendo”, afirmou.

Vorcaro ressaltou que “o negócio com o BRB foi construído tecnicamente dentro do Banco Central”, e classificou a situação atual como motivo de frustração pessoal.

“Não era para estarmos aqui nessa sala e com essa exposição toda para o país”, disse, acrescentando: “O prejuízo, no final, não foi só meu, foi do sistema financeiro”. Questionado diretamente se ele ou alguém sob seu comando solicitou intervenção de autoridades políticas junto ao Banco Central em favor do Banco Master, respondeu apenas: “Não.”

A venda do Banco Master ao BRB acabou rejeitada pelo Banco Central. Além disso, a PF apura suspeitas de irregularidades na venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master ao BRB. O BC determinou o desfazimento da operação.