Finanças
Ticket e VR obtêm liminares contra decreto que altera regras do vale-refeição e alimentação
Empresas questionam limites de taxas e prazos de repasse previstos no novo decreto do PAT; governo ainda pode recorrer e outras operadoras avaliam ação judicial
Ticket, empresa brasileira de benefícios controlada pela francesa Edenred, ingressou na Justiça para suspender os efeitos do decreto n.º 12.712, de 2025, que redefine as normas do vale-refeição e vale-alimentação no âmbito do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). A companhia obteve liminar que, provisoriamente, impede a aplicação das novas regras.
A VR, outra referência do setor, também conquistou decisão judicial favorável. Por ora, as liminares impedem que o governo federal fiscalize ou aplique sanções com base nas mudanças do programa. As decisões são provisórias e o governo ainda pode recorrer.
No caso da Ticket, a liminar foi concedida na última terça-feira (20) pelo juiz Maurílio Freitas Maia de Queiroz, da 12ª Vara Federal de São Paulo. Segundo a empresa, a medida busca garantir segurança jurídica e preservar o funcionamento do PAT diante das recentes alterações regulatórias.
O decreto, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro do ano passado, estabelece um teto de 3,6% para as taxas cobradas pelas empresas de benefícios de restaurantes e estabelecimentos comerciais, além de fixar em até 15 dias o prazo máximo para repasse dos valores. Atualmente, taxas e prazos não são regulamentados no programa.
A norma também impõe teto de 2% para a tarifa de intercâmbio, proíbe cobranças adicionais e determina um prazo de 90 dias para as empresas se adequarem. Outro destaque é a exigência de interoperabilidade plena entre bandeiras: em até um ano, qualquer cartão de benefício deverá ser aceito em todas as maquininhas de pagamento.
De acordo com dados oficiais, o PAT reúne 327.736 empresas cadastradas e beneficia cerca de 21,1 milhões de trabalhadores em todo o país.
Além da Ticket e da VR, outras operadoras avaliam medidas judiciais. A Pluxee informou, em nota, que está finalizando os trâmites para protocolar uma ação, enquanto a Alelo ainda estuda recorrer à Justiça.
Tentativa de diálogo e recurso
As empresas alegam estar abertas ao diálogo sobre taxas e prazos, mas apontam riscos na flexibilização do uso dos cartões em todas as maquininhas. Para o setor, a interoperabilidade pode fragilizar mecanismos de controle e fiscalização do programa, desvirtuar sua finalidade e comprometer a garantia de uso exclusivo dos recursos na alimentação do trabalhador.
Procurado, o Ministério do Trabalho e Emprego informou que aguarda notificação oficial da Justiça para recorrer das decisões.
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