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Diárias revelam segurança para STF em 128 dias de fim de semana, feriado e recesso em região de resort frequentado por Toffoli

Viagens ocorreram entre 2022 e 2025; Corte e ministro não comentam

Agência O Globo - 22/01/2026
Diárias revelam segurança para STF em 128 dias de fim de semana, feriado e recesso em região de resort frequentado por Toffoli
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O pagamento de diárias para seguranças que atendem o Supremo Tribunal Federal (STF) revela 128 dias de viagens em feriados, finais de semana estendidos e recesso do Judiciário para a região onde fica o resort frequentado pelo ministro Dias Toffoli, em Ribeirão Claro (PR). O local já pertenceu a familiares do magistrado.

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Master:

Os dados são baseados em registros do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, que indicam as viagens entre 2022 e 2025 à cidade com objetivo de apoio a segurança de autoridades da Corte, o que ocorre por solicitação do STF. O TRT-2 não revela, contudo, o nome do ministro atendido em cada ocasião.

Procurados, Toffoli e a Corte ainda não se manifestaram.

A maior parte dos dias de viagens (75) ocorreu durante o recesso do Judiciário, que acontece nos meses de janeiro, julho ou dezembro. Trinta e sete dias incluem, em parte, o fim de semana, e 16 correspondem a dois feriados, Carnaval e Corpus Christi.

Situado à beira de uma represa e considerado um destino de luxo, o resort Tayayá está no epicentro de uma crise aberta pela atuação do ministro do Supremo nas investigações envolvendo o Banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Toffoli é o relator do caso que atinge diretamente Daniel Vorcaro, dono do banco.

Reportagens da o pastor e empresário Fabiano Zettel (alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, da PF, na semana passada), está por trás de uma teia de fundos de investimentos geridos pela Reag (gestora investigada por fraudes envolvendo o Banco Master no âmbito da Operação Compliance Zero e foi liquidada pelo BC).

Segundo as publicações, por meio de um desses fundos, Zettel comprou, em 2021, parte da participação de dois irmãos de Toffoli no resort Tayayá. A participação valia, à época da transação, R$ 6,6 milhões. A Maridt, empresa dos irmãos de Toffoli, passou a ter o fundo ligado a Zettel como principal sócio. Um dos irmãos do ministro administrava o resort na época.

Toffoli não tem participação direta no empreendimento, mas é um frequentador. Reportagens da Folha de S. Paulo e do portal Metrópoles mostraram que ele continua a visitar o resort com os irmãos, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, e outros familiares, mesmo após a venda do controle do Tayayá para o advogado Paulo Humberto Costa, em fevereiro de 2025.

Costa é um advogado goiano que atua para a J&F, grupo da família Batista, controladora da gigante de carnes JBS. Ele comprou a participação remanescente da Maridt e também do fundo ligado ao cunhado de Vorcaro.

No início da sua condução do processo do Master, Toffoli também foi alvo de questionamentos por ter viajado a Lima, no Peru, de carona em um jatinho de um empresário. A viagem tinha como objetivo ver o a final da Taça Libertadores da América entre Flamengo e Palmeiras (time do ministro, que perdeu o título). No avião, estava um advogado de um dos executivos do Master no alvo do inquérito da PF, revelou o colunista do GLOBO Lauro Jardim.

Como mostrou O GLOBO, o imbróglio gerado pela condução de Toffoli no caso provocaram um mal-estar no STF. Por isso, integrantes da Corte começaram a debater saídas para conter a crise e passaram a considerar a possibilidade de que o colega seja declarado impedido.

Outra alternativa apontada seria o envio das investigações para a primeira instância, mudando a competência do que passou a ser chamado de "constrangimento" dentro do tribunal. Decisões de Toffoli foram consideradas atípicas, como tirar da Polícia Federal a guarda de materiais colhidos durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão.

Inicialmente, o ministro havia determinado que todo o material fosse lacrado e mantido sob custódia do STF, antes de autorizar que peritos indicados por ele fossem integrados ao processo de extração de dados, sob a chancela da Procuradoria-Geral da República.