Finanças
Advogado crítico da delação premiada deixa defesa de Daniel Vorcaro, do Banco Master
Walfrido Warde, especialista em litígios empresariais, integrava equipe do ex-banqueiro investigado
O advogado Walfrido Warde deixou a defesa do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Warde fazia parte da equipe jurídica do empresário, investigado em apurações conduzidas pela Corte. Em nota, o advogado limitou-se a informar que "deixou de fazer parte da equipe que atua para Daniel Vorcaro".
Reconhecido por sua atuação em litígios empresariais, Warde já se manifestou publicamente contra o uso indiscriminado da delação premiada no Brasil. Em entrevista ao site Consultor Jurídico (ConJur), em 2018, ele criticou excessos na aplicação do instrumento, defendendo que a delação não deve ser considerada prova em si, mas apenas um meio para obtenção de elementos que necessitam de confirmação por evidências materiais.
A saída do advogado ocorre em meio a especulações, após a última operação da Polícia Federal que atingiu familiares de Vorcaro, sobre a possibilidade de o controlador do Banco Master negociar um acordo de delação premiada.
O advogado Sérgio Leonardo, que também integra a defesa, afirmou que o desligamento de Warde não está relacionado ao andamento das investigações. Segundo ele, a decisão ocorreu exclusivamente porque Walfrido Warde não atua na área criminal.
Em nota, a defesa de Vorcaro negou qualquer negociação sobre delação premiada: “Nega com veemência a existência de qualquer proposta ou negociação de delação premiada. Essa informação não corresponde à realidade e não foi objeto de tratativa formal ou informal por parte do Sr. Vorcaro ou de seus advogados”, diz o comunicado.
Ainda segundo a nota, “Daniel Vorcaro reafirma sua inocência, segue exercendo plenamente seu direito de defesa, colaborando com as autoridades dentro dos limites legais e confia no esclarecimento dos fatos por meio dos instrumentos regulares do devido processo legal”.
O Banco Master está no centro de uma investigação que apura crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa na emissão de carteiras de crédito "insubsistentes" ao BRB, envolvendo um montante de R$ 12 bilhões.
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