Finanças

Will Bank, braço digital do grupo Master, é liquidado pelo Banco Central

Instituição financeira voltada para classes C e D estava sob Regime de Administração Especial Temporária (Raet)

Agência O Globo - 21/01/2026
Will Bank, braço digital do grupo Master, é liquidado pelo Banco Central
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial do Will Bank, braço digital controlado pelo grupo Master. A decisão foi tomada após a constatação de que a situação econômico-financeira da instituição se tornou inviável.

Foco nas classes C e D

O Will Bank surgiu como uma evolução da fintech "Pag!", fundada em 2016 em Vitória (ES) por empresários capixabas. Inicialmente ofertando cartões de crédito, a empresa expandiu seu portfólio ao longo dos anos, incluindo outros produtos financeiros como CDBs.

Direcionado especialmente às classes C e D, o banco digital chegou a superar a marca de nove milhões de clientes. Segundo informações do próprio Will Bank, cerca de R$ 7,5 bilhões passaram pela instituição.

Sede em São Paulo e equipe robusta

Com aproximadamente 1.100 funcionários, chamados internamente de "willers", o Will Bank mantinha sua sede no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Um andar exclusivo para colaboradores foi inaugurado no final de 2022, reforçando o investimento em estrutura e equipe.

Daniel Lima, diretor-presidente do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), afirmou que, caso houvesse liquidação dos ativos do Master sob regime de administração temporária, o valor a ser ressarcido poderia chegar a R$ 6 bilhões ou R$ 7 bilhões por meio do fundo.

Interrupção dos serviços

Na véspera da liquidação, a Mastercard anunciou a suspensão das transações com cartões de crédito e débito do Will Bank. Segundo a empresa de pagamentos, o banco não vinha cumprindo as regras da rede, o que motivou a interrupção dos serviços.

A liquidação do banco Master, controlador do Will Bank, ocorreu em novembro, um dia após a prisão de seu proprietário, Daniel Vorcaro, que foi detido ao tentar embarcar para Dubai durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.