Finanças
Mais de 217 mil brasileiros pedem exclusão de contas em sites de apostas desde dezembro
Segundo o Ministério da Fazenda, 37% dos usuários alegaram 'perda de controle sobre o jogo' ao utilizar a ferramenta do governo
Desde dezembro, mais de 217 mil brasileiros solicitaram a autoexclusão de contas em sites de apostas, conforme dados do Ministério da Fazenda. O pedido pode ser feito por meio de uma ferramenta lançada pelo governo no final de 2025.
O sistema permite que qualquer cidadão bloqueie voluntariamente o próprio acesso a sites de apostas e deixe de receber publicidade do setor por um período determinado.
Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, as solicitações foram feitas em 40 dias de funcionamento da Plataforma Centralizada de Autoexclusão.
Motivos
O motivo mais frequente alegado pelos apostadores (37%) foi "perda de controle sobre o jogo - saúde mental", seguido de "prevenir que meus dados sejam utilizados por plataformas de apostas" (25%). A maioria dos pedidos de autoexclusão (73%) é por tempo indeterminado, enquanto 19% optaram pelo bloqueio por um ano.
As empresas do setor já são obrigadas a oferecer mecanismos de autoexclusão em seus sites e aplicativos, mas a plataforma do governo permite o bloqueio de todas as contas em diferentes sites simultaneamente. O sistema também impede que o CPF do solicitante seja utilizado para novos cadastros e para o recebimento de publicidade direcionada das bets.
Os dados integram o balanço apresentado pela SPA sobre o primeiro ano do mercado regulado de apostas no Brasil. Mais de 25 mil sites ilegais foram bloqueados em 2025.
184 bets autorizadas
Segundo a SPA, 25,2 milhões de brasileiros realizaram apostas nas 184 bets autorizadas a operar no país no ano passado. Destes, 68,3% são homens e 31,7% mulheres.
Em relação à faixa etária, o maior grupo de apostadores (28,6%) tem entre 31 e 40 anos. Jovens de 18 a 24 anos representam 22,7%, mesma porcentagem das pessoas entre 25 e 30 anos.
Faturamento e arrecadação
O faturamento do setor atingiu R$ 37 bilhões em 2025, considerando o saldo entre o valor recebido em apostas e os prêmios pagos — a chamada receita bruta de jogos (GGR, na sigla em inglês). O segmento gerou cerca de 10 mil empregos diretos e 5,5 mil indiretos.
Esse montante resultou em uma arrecadação de R$ 8,8 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, segundo a Receita Federal.
Fiscalização
No âmbito da SPA, a Subsecretaria de Monitoramento e Fiscalização registrou, em 2025, 132 processos envolvendo 133 bets. Destes, 80 estão em andamento para aplicação de penalidades.
O secretário de Prêmios e Apostas, Regis Dudena, afirma que o governo projeta avanços na fiscalização em 2026, após o primeiro ano do mercado regulado.
“Desde a sua criação, a Secretaria vem passando por uma curva evolutiva consistente. Em 2024, estruturamos as regras do mercado; em 2025, avançamos no acompanhamento e na fiscalização, além de trabalharmos intensamente no combate aos ilegais. Em 2026, essas atividades devem seguir e se desenvolver ainda mais, para garantir a proteção das pessoas e da economia popular”, afirma Dudena.
Ainda segundo o governo, em parceria com o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (Conar), a SPA concluiu 412 processos de fiscalização de publicidade ilegal nas redes sociais contra influenciadores digitais, resultando na remoção de 324 perfis e 229 publicações.
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