Finanças

Orelhões serão extintos em todo o Brasil até o fim de 2028

Serviço já teve mais de 1,5 milhão de terminais em todo o país

Agência O Globo - 21/01/2026
Orelhões serão extintos em todo o Brasil até o fim de 2028
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Os icônicos orelhões, telefones públicos que marcaram gerações de brasileiros, têm data para sair definitivamente de cena: até o final de 2028, cerca de 30 mil aparelhos restantes serão desativados em todo o país. Lançados em 1972, com design da arquiteta Chu Ming Silveira, os orelhões chegaram a somar mais de 1,5 milhão de terminais espalhados pelo Brasil.

Durante décadas, a manutenção da rede de orelhões foi uma obrigação das concessionárias de telefonia fixa, conforme contratos firmados em 1998. Esses contratos, que incluíam a oferta e conservação dos terminais públicos, expiram em dezembro de 2025.

Extinção gradual

A transição dos contratos para o modelo de autorizações de serviço prevê a extinção progressiva dos telefones públicos, alinhando-se ao plano nacional de universalização do acesso à telefonia.

Segundo a Anatel, "com a proximidade do término dos contratos, tornou-se oportuna uma discussão mais ampla sobre o atual modelo de concessão, com o fim de buscar estimular os investimentos em redes de suporte à banda larga".

Nesse contexto, concessionárias e o poder público negociaram acordos para adaptar o sistema de telefonia fixa (STFC) ao regime privado de autorizações. A situação ganhou complexidade devido à crise financeira da Oi, uma das principais operadoras, que enfrenta processo de falência desde 2016.

Orelhões em funcionamento

Atualmente, cerca de nove mil telefones públicos permanecerão ativos em municípios onde não há cobertura de rede móvel 4G. A maioria desses terminais está concentrada no estado de São Paulo, e sua localização pode ser consultada no site da Anatel.

"As empresas assumiram compromissos de manutenção da oferta de serviço de telecomunicações com funcionalidade de voz (incluindo os orelhões), em regime privado, por meio de quaisquer tecnologias, em localidades nas quais as empresas forem as únicas prestadoras presentes, até o prazo máximo de 31 de dezembro de 2028", esclareceu a Anatel.

A agência informou ainda que as operadoras deverão investir em infraestrutura de telecomunicações, incluindo implantação de fibra óptica em áreas sem cobertura, instalação de antenas 4G, expansão de redes celulares, implantação de cabos submarinos e fluviais, conectividade em escolas públicas e construção de data centers.

A Oi é a concessionária com maior número de aparelhos ainda em operação, somando 6.707 unidades. Já Vivo, Algar e Claro/Telefônica devem desligar suas redes ainda este ano, restando aproximadamente dois mil orelhões sob sua responsabilidade.

Outros 500 terminais pertencem à Sercomtel, nos municípios de Londrina e Tamarana (PR), e só serão removidos após adaptações necessárias.

Existem ainda orelhões cuja manutenção pelas operadoras não é obrigatória. Nesses casos, o desligamento pode ser solicitado diretamente às empresas ou, em caso de negativa, à Anatel, pelo telefone 1331 ou pelo portal da agência na internet.