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Tifanny diz que não vai desistir do vôlei: 'Carregarei comigo a coragem de resistir'

Após liminar derrubada, jogadora manifesta sua determinação nas redes sociais.

Estadao Conteudo 02/11/2026
Tifanny diz que não vai desistir do vôlei: 'Carregarei comigo a coragem de resistir'
(Reprodução/ - Foto: tifannyabreu10

Impedida de jogar a Superliga feminina devido à nova política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Tifanny Abreu se manifestou novamente sobre o caso, pouco mais de uma semana após o Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) derrubar uma liminar que a autorizava a atuar. Em publicação no Instagram, ela declarou que não desistirá do vôlei.

"Pelos caminhos do mundo, nenhum destino se perde. E mesmo quando os caminhos se tornam difíceis, quando tentam silenciar minha voz ou limitar os meus passos, sigo acreditando que nenhuma luta é em vão. Em novembro, carregarei comigo a coragem de resistir, a dignidade de existir e o amor por uma profissão que escolhi exercer com verdade, respeito e carinho", escreveu a jogadora do Osasco.

"Nem sempre é fácil permanecer de pé diante de tantas adversidades, mas aprendi que resistir também é uma forma de amar aquilo em que acreditamos. Porque eu continuo aqui. Existindo, resistindo e acreditando. E enquanto houver amor pelo que faço, coragem para lutar e esperança no coração, nenhum obstáculo será maior do que a minha vontade de continuar. Podem tentar mudar os meus caminhos, mas jamais apagar a minha existência, a minha essência e o meu direito de seguir", concluiu.

Nos comentários da publicação, a oposta de 41 anos listou perfis de políticos e pediu que seus seguidores também os marcassem para chamar atenção ao caso. Entre os nomes marcados, estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os deputados federais André Janones (REDE), Sâmia Bonfim (PSOL), Gleisi Hoffmann (PT) e Erika Hilton (PSOL), além de Alexandre Padilha (PT), ministro da Saúde, e Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento.

No dia 24 de outubro, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu manter a decisão da CBV de impedir a participação de Tifanny Abreu em competições nesta temporada, resultando na derrubada da liminar. Contudo, o caso ainda não teve sua conclusão definitiva, pois passará por nova análise na Justiça comum. Neste momento, os representantes de Tifanny buscam uma reconsideração.

A CBV estabeleceu, em agosto deste ano, que a participação nas competições da categoria feminina seja exclusiva para atletas que possuem o sexo biológico feminino, regra adotada em conformidade com as atuais políticas do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Vôlei (FIVB).

Embora as entidades nacionais não estejam obrigadas a seguir os parâmetros do COI para suas competições, a confederação brasileira optou por "atuar em conformidade com as diretrizes técnicas do Movimento Olímpico", conforme argumentado em sua divulgação das novas diretrizes.

No dia 16 de outubro, a jogadora obteve a liminar, agora derrubada, no TJ-RJ para jogar competições da CBV, após ter sido excluída da lista de atletas com inscrição deferida. A decisão na Justiça permitiu que a ponteira atuasse na partida pela Supercopa contra o Praia Clube, na qual iniciou o jogo em quadra. Tifanny também participou da estreia do Osasco na Superliga, contra a equipe de Brasília.

Tifanny conquistou o Campeonato Paulista com o Osasco, única competição em que teve liberação para jogar após a implementação da nova regra pela CBV. Na última temporada, ela foi a única atleta transexual a participar da Superliga Feminina. A atleta completou sua transição de gênero e estreou na categoria em 2017, após obter permissão da Federação Internacional de Vôlei.

Após atuar no vôlei italiano, a oposta de 41 anos retornou ao Brasil e começou sua trajetória no Sesi-Bauru. Ela defende o Osasco desde 2021 e possui um título da Superliga, quatro Campeonatos Paulistas, além de um vice-campeonato no Sul-Americano e um terceiro lugar no Mundial de Clubes.