Esportes

Justiça de Alagoas pune três torcidas organizadas após escalada de violência

Punições atingem Mancha Azul, Comando Alvi Rubro e Torcida Jovem do Sport com suspensão de estádios, veto a aglomerações e bloqueio de redes sociais

Redação 26/09/2026
Justiça de Alagoas pune três torcidas organizadas após escalada de violência
Punições atingem Mancha Azul, Comando Alvi Rubro e Torcida Jovem do Sport - Foto: Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial

Uma sequência de episódios violentos dentro e fora das praças esportivas levou a Justiça de Alagoas a aplicar duras sanções contra três das principais torcidas organizadas do futebol nordestino. Em decisões assinadas na última quinta-feira (24), o Poder Judiciário determinou o afastamento da Mancha Azul (do CSA), da Comando Alvi Rubro (do CRB) e da Torcida Jovem (do Sport) de arenas esportivas, além de impor restrições que vão desde o perímetro dos estádios até o ambiente virtual.

As punições variam em gravidade e abrangência de acordo com os relatórios policiais e históricos de ocorrências apresentados ao tribunal:

Mancha Azul (CSA): Cumprirá suspensão de um ano dos estádios alagoanos, proibição de aglomeração de integrantes num raio de 5 km das praças esportivas (três horas antes e três horas depois de cada jogo) e veto ao uso de indumentárias ou adereços que identifiquem o grupo. A decisão também ordenou a desativação de 20 perfis vinculados à organizada no Instagram.

Comando Alvi Rubro (CRB): Recebeu pena de um ano de afastamento das arquibancadas, o mesmo perímetro de isolamento de 5 km em relação aos estádios e a proibição do uso de símbolos e uniformes. A Justiça determinou ainda o bloqueio de 13 contas mantidas pela facção na rede social Instagram.

Torcida Jovem (Sport): Enfronta a penalidade mais severa em termos de tempo: dois anos de suspensão das praças esportivas em Alagoas, além das restrições de raio de 5 km e proibição total do uso de materiais identificadores da facção.

Tumulto em clássico regional acelerou sanção

Entre os eventos determinantes para a medida cautelar contra os torcedores do Sport e do CRB está o confronto registrado em 15 de setembro, no Estádio Rei Pelé, em Maceió. Logo após o encerramento da partida em que o time alagoano venceu o clube pernambucano por 2 a 1, membros da Torcida Jovem forçaram e romperam a estrutura de contenção que dividia os setores no estádio para atacar os rivais.

A investida provocou uma reação da torcida alvirrubra local, exigindo uma rápida intervenção do efetivo da Polícia Militar, que precisou recorrer ao uso de munição de borracha e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os agressores. Dezenas de envolvidos foram encaminhados à Central de Flagrantes para o registro de Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs).

Histórico de agressões graves e emboscadas

No caso da Mancha Azul, a fundamentação judicial reúne uma extensa lista de episódios graves investigados pela Polícia Civil. Além de distúrbios na arquibancada em agosto de 2025, durante jogo do CSA contra o Ituano pela Série C, pesaram na decisão acusações de emboscadas e violência urbana na Região Metropolitana de Maceió.

Entre as ocorrências citadas constam um ataque com artefato explosivo arremessado contra o carro de torcedores rivais no bairro do Poço, o espancamento com barras de ferro que deixou um integrante da Comando Alvi Rubro com traumatismo cranioencefálico no bairro da Jatiúca, roubos com agressões físicas no corredor da Avenida Fernandes Lima e um assalto praticado por oito indivíduos trajando roupas da torcida contra um transeunte.

Cerco ampliado para além dos portões

A estratégia adotada pela Justiça alagoana mira a desarticulação das facções para além da hora do jogo. Ao proibir qualquer reunião num raio de 5 quilômetros dos locais de partida e suspender a representação oficial das organizadas no ambiente digital, a sentença busca coibir a marcação de confrontos prévios e o uso das redes como ferramenta de incitação à violência urbana.