Esportes

Reação de clubes a MP contra bets surge após ameaças de revisão de patrocínios

Medida do governo gera temor entre times e federações

Estadao Conteudo 18/09/2026
Reação de clubes a MP contra bets surge após ameaças de revisão de patrocínios
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A reação dos clubes e federações de futebol a rumores de que o governo pretende tomar uma medida drástica contra as bets surgiu após as empresas de apostas avisarem os times e entidades esportivas que a decisão os forçará a rever contratos de patrocínio.

Atualmente, 13 dos 20 times da Série A do Brasileirão possuem contratos com casas de apostas. A própria competição conta com patrocínio da principal empresa do setor, a grega Betano.

As plataformas de apostas chegaram a patrocinar 19 dos 20 clubes da primeira divisão. Embora esse número tenha diminuído, elas ainda dominam o futebol brasileiro, investindo mais de R$ 1 bilhão em contratos de patrocínio com as equipes da elite.

Os clubes expressaram sua preocupação às patrocinadoras quando leis municipais começaram a proibir a exibição de marcas de bets em espaços públicos, como estádios. As restrições foram implementadas em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

Em seguida, as empresas de apostas apresentaram aos clubes um panorama ainda mais alarmante: o governo planeja editar uma Medida Provisória (MP) que acabará com os cassinos online (incluindo jogos como o tigrinho), elemento crucial na geração de receita das principais bets. A expectativa é de que a medida seja publicada e enviada ao Congresso Nacional nos próximos dias, antes do primeiro turno das eleições.

Mesmo sem definições concretas sobre os termos que a MP terá, clubes e federações emitiram, nesta quinta-feira, 17, um manifesto em que expressam a preocupação com os rumores e afirmam que, caso se confirmem, será um golpe fatal no futebol brasileiro, que enfrentará colapso, segundo as agremiações.

"A consequência não será apenas uma porta escancarada para as apostas clandestinas, mas um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência", afirma o texto divulgado por alguns dos principais clubes do país, entre eles Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Flamengo.

Representantes do setor de apostas ouvidos pela reportagem revelaram que a maioria dos contratos de patrocínio firmados com os clubes contém cláusulas que permitem revisões em caso de mudanças significativas nas diretrizes regulatórias.

Essas cláusulas serão acionadas se o governo confirmar medidas que impactem o faturamento das bets. Os clubes já foram alertados sobre isso.

As bets também aguardam uma posição da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que optou por abordar a questão com cautela.

As casas de apostas mantêm acordos comerciais com a CBF, aparecem nas transmissões da Globo e de outras emissoras, e até firmam parcerias com torcidas organizadas de alguns dos maiores times do país.

Executivos do setor defendem a necessidade de um estudo de impacto econômico e jurídico antes da implementação de qualquer restrição às bets. As casas de apostas foram regulamentadas no início de 2024 e devem ser compensadas caso a MP seja aprovada, uma vez que cada empresa pagou R$ 30 milhões para operar no Brasil por um período de cinco anos.