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MP investiga contrato do Corinthians com a Caixa e aponta dívida menor

Procedimento apura valor real da pendência financeira do clube

Estadao Conteudo 02/09/2026
MP investiga contrato do Corinthians com a Caixa e aponta dívida menor
- Foto: Fernando Bueno / Corinthians

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um procedimento administrativo para investigar o quanto o Corinthians ainda deve à Caixa Econômica Federal pelo financiamento da Neo Química Arena. O órgão suspeita que a pendência financeira, atualmente avaliada em R$ 642 milhões, possa ser inferior a esse valor. A informação é da Record TV. Em contato com o Estadão, o Corinthians não se manifestou. O banco estatal, por sua vez, mencionou questões de sigilo bancário e também não se pronunciou sobre o assunto.

A investigação, sob a responsabilidade do promotor Cassio Roberto Conserino, baseia-se em uma denúncia do perito Anísio Castelo Branco, CEO do Instituto de Perícia Investigativa, que atua na apuração de fraudes, lavagem de dinheiro e análise de contratos bancários. Segundo a reportagem, ele elaborou um dossiê reunindo todos os dados sobre a dívida, fundamentado em documentos públicos, multas e, principalmente, nos juros cobrados.

De acordo com a reportagem, o perito enviou um e-mail, em 2020, ao então presidente do Corinthians, Andres Sanches, e ao presidente do conselho, Alexandre Husni, mas não obteve resposta.

Mesmo com a pendência de R$ 642 milhões junto à Caixa, o Corinthians estima ter pago cerca de R$ 600 milhões pela Arena em Itaquera. O montante é reajustado anualmente com base no CDI (Certificado de Depósito Interbancário) acrescido de uma taxa fixa adicional de 2%.

Em 2013, durante a gestão de Andres Sánchez, o Corinthians firmou um financiamento com a Caixa (através de repasse de linha de crédito do BNDES) para a construção do estádio, que totalizou R$ 400 milhões. Em 2022, um acordo de reestruturação da dívida fixou o montante em R$ 611 milhões, com um prazo de quitação de 20 anos.

Após a reestruturação, o pagamento passou a ser feito em parcelas trimestrais, utilizando recursos do contrato de naming rights da Neo Química Arena e da arrecadação com bilheteira e eventos.

No período entre 2019 e 2022, quando Corinthians e Caixa debateram a renegociação do contrato, a suspensão dos pagamentos resultou no acúmulo de encargos. Após o acordo de 2022, nos primeiros anos, uma considerável parte das parcelas foi direcionada ao pagamento de juros, com a amortização do valor principal se iniciando apenas a partir de 2025.

O atual presidente do Corinthians, Osmar Stábile, iniciou conversas com a Caixa em 2025 para discutir um novo modelo de pagamento e a redução dos juros, visando amenizar a situação financeira do clube. Contudo, as negociações ainda não foram concluídas. No mesmo ano, uma campanha promovida pela Gaviões da Fiel arrecadou cerca de R$ 40,9 milhões, quantia utilizada para amortizar parte da dívida e reduzir os juros anuais em aproximadamente R$ 7 milhões.