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Abel desabafa após classificação e critica a pressão excessiva no futebol

Técnico pede respeito e paciência em meio às cobranças por resultados

Estadao Conteudo 19/08/2026
Abel desabafa após classificação e critica a pressão excessiva no futebol
Abel Ferreira - Foto: Reprodução / Instagram

Abel Ferreira enfrentou muitas críticas recentemente devido à queda de rendimento do Palmeiras. O comandante alviverde aproveitou a classificação para as quartas de final da Libertadores para fazer um desabafo, defendendo seu trabalho e o elenco alviverde. Após quatro partidas sem vencer, o time conquistou uma vitória por 1 a 0 contra o Cerro Porteño e se garantiu entre os oito melhores da competição sul-americana.

O técnico português utilizou as críticas, que considera exageradas, para definir o futebol, tanto no Brasil quanto mundialmente, como "doente". Ele repetiu essa expressão várias vezes, reclamando da pressão excessiva sobre as conquistas de todas as equipes e argumentando que o segundo lugar não vale nada.

"Vou fazer uma provocação a seus colegas (jornalistas), já que estamos habituados à pressão da imprensa brasileira. Sabíamos que seria um jogo que poderia influenciar toda a temporada. No entanto, poucas equipes estão competindo em todas as frentes", começou seu desabafo, destacando a força do Palmeiras desde sua chegada.

"Você sabe o que esse Palmeiras tem feito desde 2020. Olhando para os rostos atuais, temos a capacidade de nos tornarmos uma equipe super vencedora. Valorizamos o futebol brasileiro e os títulos que conquistamos, investindo em jovens, mas pouca gente comenta isso. Pouca ou apenas uma parte da imprensa faz críticas construtivas. Existem outros que, um dia, vou citar nomes. Muitos não merecem estar na imprensa. Muitos precisam ser substituídos ou calados, especialmente em momentos de pressão. Nosso grupo tem muito talento, mas falta a capacidade de suportar as adversidades que eu enfrentei, quando não tinha tanto talento, mas muita vontade", ressaltou.

O técnico aproveitou o momento para expressar suas preocupações. "O futebol, de um modo geral, está doente. Se você não ganha, é considerado fraco; se não fica em primeiro, não é valorizado. Essa obsessão pelo primeiro lugar é um mal generalizado. Todos estão obcecados: torcedores, jogadores, imprensa, na minha opinião", desabafou, pedindo mais paciência e respeito.

"Um treinador não é avaliado apenas por resultados e sucesso. Se tivéssemos perdido hoje, poderíamos ter perdido, porque o futebol é imprevisível, ninguém tem certeza de nada. Esta comissão técnica e esse grupo conquistaram 11 títulos, mas ninguém parece notar isso", disparou. "Conversei com os jogadores e disse que amanhã devemos continuar a vida. Ela (a vida) é dura, mas o que podemos fazer é nunca parar de pedalar e aproveitar as descidas", destacou.

O comandante ainda citou a série sobre Pep Guardiola, usando-a como exemplo para chamar a atenção para a necessidade de dias melhores no futebol. "Assisti a série do Guardiola e a sensação é profundamente triste. A maneira como vemos o futebol é doentia. Se você não for o melhor em sua profissão, seu esforço não é valorizado. Competir e perder me torna um perdedor? Não. O verdadeiro campeão é aquele que nunca para de pedalar", avaliou.

Ele fez uma cobrança: "O futebol deveria unir as classes, não ser motivo de ameaças. Deveria ser um esporte saudável, que proporciona emoções e momentos em família, para que os apaixonados pelo futebol não deixem que ele fique doente. É para se divertir, ficar triste quando se perde, mas não sair em brigas. Se não cuidarmos, tudo vai piorar."

Sobre o time do Palmeiras, só teve elogios. "Disse aos jogadores antes da partida que só havia uma maneira de vencer lá (em Assunção): sermos superiores a eles em seu ponto forte para lograr a classificação na Libertadores. Para nossos jogadores, só tenho palavras de carinho. Que fiquem unidos, especialmente nos momentos difíceis, e que saibam quem fala a verdade. Fiquei feliz de ver a torcida se manifestando dias atrás e espero que continuem assim", afirmou. "Já conquistamos uma competição (o Paulistão), e o verdadeiro valor só será reconhecido no final, se continuarmos a pedalar. Este grupo está habituado a pedalar e não vai parar quando estiver bem. As subidas virão, e vamos encarar, para que na descida possamos pedalar ainda mais."