Esportes

Deputado dos EUA pede esclarecimentos a Infantino sobre relação entre Fifa e Trump, diz jornal

Solicitação inclui lista de presentes e contatos entre a Fifa e a administração Trump.

Estadao Conteudo 27/07/2026
Deputado dos EUA pede esclarecimentos a Infantino sobre relação entre Fifa e Trump, diz jornal
Jamie Raskin

O deputado democrata Jamie Raskin solicitou esclarecimentos a Gianni Infantino, presidente da Fifa, sobre a relação mantida entre o cartola e o ex-presidente norte-americano Donald Trump, conforme informações do The Athletic, braço esportivo do New York Times. Em carta, Raskin pede que Infantino compareça ao Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes e solicita uma lista de possíveis presentes entregues ao chefe de estado dos EUA pela entidade máxima do futebol.

O deputado também exige que a Fifa disponibilize todos os registros de contatos feitos com Trump até 9 de agosto de 2026, além do controle de visitantes dos escritórios da federação internacional em Miami e Nova York.

Em um dos trechos da carta, divulgado pelo The Athletic, ele pede 'uma lista de qualquer coisa de valor (incluindo transferência de dinheiro, presentes, prêmios, condecorações ou aparições públicas) dada ao presidente Trump, a membros de sua administração ou a seus familiares, ou a qualquer entidade associada a eles, como a Organização Trump'.

Em comunicado, o porta-voz da Casa Branca, David Ingle, fez ataques pessoais a Raskin, a quem classificou como 'a ideia que uma pessoa estúpida tem de uma pessoa inteligente', e exaltou a participação do governo Trump na organização da Copa do Mundo.

'Graças à sua visão arrojada e liderança decisiva, a Copa do Mundo da FIFA de 2026 gerou bilhões de dólares em receita, impulsionou a economia das cidades-sede e proporcionou uma experiência segura e impecável para milhões de fãs e atletas do mundo todo. Sem dúvida, ficará marcada como um dos maiores e mais bem-sucedidos eventos esportivos da história', afirmou.

Na prática, a carta de Raskin não obriga Infantino a atender os pedidos. Embora ele integre o Comitê Judiciário, não possui o poder de intimação, que precisa ser votado para ser colocado em prática. Apenas os presidentes da Câmara e do Comitê Judiciário, os republicanos Mike Johnson e Jim Jordan, respectivamente, podem intimar pessoas de forma unilateral.

O ato do democrata indica, contudo, a quantidade de questionamentos que a Fifa deve enfrentar, caso o partido consiga a maioria na Câmara após as eleições de novembro de 2026. Nos EUA, todas as cadeiras de deputados e cerca de 35% das vagas de senadores são renovadas no meio do mandato de cada presidente, por meio das chamadas midterms.

Hoje, os republicanos são maioria. Se os democratas tiverem sucesso em inverter essa situação, Raskin pode assumir a presidência do Comitê Judiciário. Dessa forma, teria a capacidade de intimar Infantino e formalizar as investigações que pediu na carta divulgada pelo The Athletic, que atualmente é apenas um documento de 'supervisão'.

As relações entre Donald Trump e Gianni Infantino foram amplamente debatidas antes e durante a Copa do Mundo. O Prêmio da Paz entregue pela Fifa ao presidente norte-americano durante o sorteio dos grupos do Mundial, em dezembro de 2025, foi um dos episódios que expôs a proximidade entre os dois.

Durante a disputa do torneio, a dupla gerou nova polêmica quando Trump ligou para Infantino reclamando do cartão vermelho aplicado pelo árbitro brasileiro Raphael Claus ao atacante Balogun, da seleção dos EUA, durante uma partida contra a Bósnia, na segunda fase. O jogador ficaria de fora das oitavas de final contra a Bélgica, mas a Fifa decidiu anular o cartão, afirmando que a decisão foi 'independente'.