Esportes

Calor intenso vira desafio dentro e fora de campo na Copa do Mundo

Com temperaturas elevadas em sedes do Mundial, Fifa adota pausas obrigatórias para hidratação em todas as partidas

Agência Brasil 25/06/2026
Calor intenso vira desafio dentro e fora de campo na Copa do Mundo
Calor intenso leva Fifa a adotar pausas obrigatórias para hidratação na Copa de 2026

O duelo entre Brasil e Escócia, na quarta-feira (24), pela rodada final do Grupo C da Copa do Mundo, foi quente — e não apenas pelo que ocorreu dentro de campo. No início da partida, em Miami, nos Estados Unidos, às 19h pelo horário de Brasília, os termômetros marcavam 30ºC, mesmo no fim da tarde e começo da noite no horário local.

O cenário não surpreende especialistas. Pesquisa da Queen's University Belfast, da Irlanda do Norte, apontou que 14 das 16 sedes da Copa — disputada também no México e no Canadá — poderiam registrar níveis de calor considerados “potencialmente perigosos”. O estudo levou em conta dados meteorológicos dos últimos 20 anos e foi publicado no International Journal of Biometeorology, em janeiro do ano passado.

Notícias relacionadas: Vini Jr. brilha e Brasil se classifica em 1º com 3x0 sobre a Escócia; saiba quando e contra quem o Brasil pode jogar no mata-mata da Copa; veja os resultados dos jogos desta quarta-feira (24) na Copa.

Em artigo publicado em maio, um mês antes do Mundial, a World Weather Attribution Initiative (WWA), associação internacional de pesquisadores climáticos, chamou atenção para os jogos marcados no México e em regiões do interior e do sul dos Estados Unidos. A preocupação está ligada, sobretudo, ao alto nível de umidade em áreas do litoral e do centro-oeste norte-americano, fator que torna o calor ainda mais perigoso — especialmente na prática do futebol.

A Federação Internacional de Associações de Futebolistas Profissionais (FIFPro), sindicato global dos jogadores, recomenda que partidas disputadas sob temperatura a partir de 30ºC tenham pausas obrigatórias para hidratação. Se os termômetros chegarem a 36ºC, a orientação é pela interrupção ou até pelo adiamento do jogo, até que atletas, comissões técnicas, arbitragem e torcedores estejam em segurança.

A WWA recorda que a Copa de 1994, também realizada nos Estados Unidos, teve episódios de calor, mas em condições menos severas. Segundo o artigo, a expectativa para este ano é de 26 jogos disputados a pelo menos 30ºC. No Mundial de 32 anos atrás, foram 21 partidas nessas condições. Também eram esperados cinco confrontos com temperaturas a partir de 36ºC, dois a mais que na edição anterior em solo estadunidense.

Na fase de 16 avos de final, o Brasil enfrentará o segundo colocado do Grupo F, que pode ser Holanda, Japão ou Suécia. A partida será em Houston, nos Estados Unidos, com início marcado para as 12h no horário local — 14h em Brasília. A previsão é de temperatura na casa dos 33ºC no momento em que a bola rolar. O estádio, casa do Houston Texans, equipe da NFL, principal liga de futebol americano do mundo, conta com teto retrátil e ar-condicionado.

Beba água

Em nota à Agência Brasil, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) listou ações que, segundo a entidade, buscam preservar a saúde dos envolvidos nas partidas. A Fifa afirmou que o calendário foi elaborado para equilibrar “exigências esportivas, operacionais e de transmissão” e que os jogos ao ar livre nos horários de maior calor “foram estrategicamente limitados e priorizados para estádios cobertos, sempre que possível”.

Outra medida foi tornar obrigatória a pausa para hidratação nas 104 partidas da Copa, independentemente das condições climáticas. A interrupção de três minutos em cada tempo divide opiniões entre técnicos, atletas e torcedores — alguns têm vaiado a paralisação. Há ainda críticas ao uso comercial do intervalo, o que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, rechaçou em declaração ao site da entidade. Segundo ele, trata-se “puramente de uma questão esportiva”.

A FIFPro informou que, em pesquisas eletrônicas feitas com capitães e técnicos de seleções nacionais sobre as condições de calor em torneios de futebol, metade dos atletas afirmou que as pausas para hidratação eram “adequadas”. Conforme o sindicato, uma minoria dos treinadores declarou levar o clima em consideração na hora de escalar titulares ou definir o plano tático.

Por outro lado, 20 cientistas de renome, de países como Estados Unidos, Austrália, Canadá, Japão, Reino Unido, França, Espanha e Noruega, avaliaram em carta aberta divulgada em maio que a pausa deveria ser maior, de pelo menos seis minutos. Para eles, três minutos são “insuficientes para gerar impacto significativo na reidratação e no resfriamento corporal”.

Os especialistas reforçam que o calor extremo não pode ser enfrentado apenas com paralisações para resfriamento, mas também com ações de combate à queima de combustíveis fósseis. O artigo da WWA segue a mesma linha e lembra que os riscos climáticos à saúde também estão fora de campo, em exibições públicas dos jogos, aglomerações ao ar livre, celebrações e outras formas de participação social associadas ao futebol.