Esportes

Esquiva Falcão vende medalha olímpica e faz apelo por mais apoio aos atletas

Pugilista capixaba diz que decisão foi dolorosa e busca abrir academia para garantir futuro da família

20/04/2026
Esquiva Falcão vende medalha olímpica e faz apelo por mais apoio aos atletas
Esquiva Falcão - Foto: Agência Brasil

O pugilista Esquiva Falcão revelou que vendeu a medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Londres-2012, na categoria peso médio, seu maior feito na carreira. Nas redes sociais, o capixaba de 36 anos desabafou sobre as dificuldades enfrentadas pelos atletas olímpicos brasileiros.

"Hoje me despeço de um dos maiores símbolos da minha vida: minha medalha olímpica. Minha maior conquista no boxe. Representa muito mais do que prata, representa a luta de um menino sonhador (...) Estou muito triste com isso, essa decisão que tomei doeu muito. Porque essa medalha carrega parte da minha alma, minha família. Não é apenas uma medalha", afirmou em vídeo publicado no Instagram.

O atleta destacou ainda que a decisão o fez refletir sobre a realidade do esporte nacional: "Essa decisão me fez refletir sobre uma realidade dura do nosso país. Muitas vezes o atleta olímpico não recebe o devido valor. Mesmo após o pódio, falta apoio, valorização. Vender essa medalha não apaga minha história, porque o verdadeiro valor nunca esteve no metal, e sim em tudo que ela simboliza".

Esquiva Falcão frisou que a venda não foi motivada por dívidas. Segundo ele, o objetivo é usar o dinheiro para abrir sua própria academia, além de proporcionar mais estabilidade financeira para os três filhos e para toda a família.

"Eu não vendi a medalha por dívida financeira. Dívida todo mundo tem, né? Um pai de família com três crianças tem dívidas. Mas esse não foi o motivo da venda. Hoje eu tenho uma reserva, não é muito, mas tenho. Um dos motivos pelos quais eu vendi a medalha foi porque quero abrir a minha própria academia. Hoje tenho uma, mas o lugar é alugado. Além disso, quero dar uma vida melhor aos meus filhos. Quero deixar bem claro também: ninguém vende a medalha porque quer, sempre existe um motivo. Negociamos o valor, não vou falar porque combinamos. Também não vou falar o nome da pessoa porque não tenho autorização. Mas foi um valor que vai me ajudar muito na construção da minha academia, na base da minha família", explicou.

Esquiva Falcão é irmão de Yamaguchi Falcão, medalhista de bronze também em Londres, e um dos principais nomes do boxe brasileiro de sua geração. No boxe olímpico, acumula 32 vitórias e apenas duas derrotas. Já no profissional, o capixaba disputou o título mundial em 2023, pelo cinturão peso médio (72,6 kg) da Federação Internacional de Boxe (IBF), mas foi derrotado pelo alemão Vincenzo Gualtieri.