Esportes
O 'círculo vicioso' do dinheiro que explica Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG (mais uma vez) na disputa pelo título brasileiro
Derretimento do Botafogo abriu caminho para outros rivais entrarem na briga; mas por que sempre são os mesmos clubes?
Tudo indicava que o Brasileirão 2023 seguiria caminho contrário ao dos últimos anos com o Botafogo avançando a passos largos para ser campeão após 28 anos. Mas o cenário na 36ª rodada, que começou ontem e vai até amanhã, não é bem assim. Com a queda livre do alvinegro, Palmeiras e Flamengo assumiram os dois primeiros lugares. O Atlético-MG também entrou na briga. Ou seja: os três últimos campeões e, não coincidentemente, aqueles com mais recursos financeiros. É mais uma mostra da influência do dinheiro no resultado esportivo.
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Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG ganharam a alcunha de trio de ferro do futebol nacional. Os últimos cinco Brasileiros foram vencidos por eles, assim como três das últimas quatro edições da Copa do Brasil e quatro das últimas cinco da Libertadores. Uma hegemonia esportiva e financeira. Os três figuraram no top-5 das maiores receitas do país em 2022, com os rubro-negros na frente (R$ 1,1 bilhão), seguidos pelos alviverdes (R$ 791 milhões) e com os atleticanos em quinto (R$ 422 milhões).
Maiores receitas do futebol brasileiro em 2022:
Flamengo: R$ 1,1 bilhão
Palmeiras: R$ 791 milhões
Corinthians: R$ 737 milhões
São Paulo: R$ 661 milhões
Atlético-MG: R$ 422 milhões
Essa força econômica naturalmente se reflete nos elencos. Principalmente no caso de cariocas e paulistas. Em setembro, o Centro Internacional de Estudos Esportivos (CIES) levantou os 100 clubes do mundo que mais gastaram para montar seus plantéis atuais. Encabeçada pelo Manchester United (1,15 bilhão de euros), a lista tem o Flamengo na 49ª colocação (163 milhões de euros) e o Palmeiras em 95º (59 milhões de euros).
Clubes que mais gastaram para montar seus elencos atuais:
Manchester United: 1,150 bilhão de euros
Chelsea: 1,134 bilhão de euros
Manchester City: 1,042 bilhão de euros
Paris Saint-Germain: 1 bilhão de euros
Arsenal: 836 milhão de euros
49. Flamengo: 163 milhão de euros 95. Palmeiras: 59 milhões de euros
Em valor estimado de mercado, os elencos de Flamengo e Palmeiras lideram dentro do Brasil. O grupo rubro-negro está avaliado em 160,7 milhões de euros (R$ 862 milhões), segundo o site especializado Transfermarkt. Já o palmeirense vale 159,7 milhões de euros (R$ 855,6 milhões).
— Mais dinheiro faz que você tenha elencos melhores e maiores e, assim, suporte algum erro de gestão ou alguma dificuldade que apareça no ano. Quando o Botafogo sofreu com contusões e suspensões, ele sentiu muito mais do que estes sentiriam por ter um elenco não tão grande e menos qualificado. Nesta hora o dinheiro faz diferença. Ele te dá material para ter opções — aponta o economista César Grafietti, sócio da consultoria Convocados.
—O Palmeiras se dedicou muito à Libertadores e deixou o Brasileiro um pouco de lado. Mas quando voltou a focar, se recuperou graças ao elenco mais forte. Mesmo perdendo o Dudu (por lesão), ganhou o Endrick. Com todo esse material humano o Abel (Ferreira) acertou o time. Já o Flamengo teve toda a confusão com o (Jorge) Sampaoli. Mas, quando chega o Tite, como tem elenco ele se recupera.
Elencos mais valiosos da Série A:
Flamengo: R$ 862 milhões
Palmeiras: R$ 855,6 milhões
São Paulo: R$ 539,4 milhões
Athletico: R$ 515,5 milhões
Corinthians: R$ 472,8 milhões
Atlético-MG: R$ 447,4 milhões
Com nomes como Hulk, Paulinho, Zaracho, Jemerson e Guilherme Arana, o plantel atleticano é o sexto mais valioso da Série A. Mas o top-5 possui uma distorção, já que a quarta colocação do Athletico está vinculada a Vitor Roque. Sozinho, o atacante está avaliado em 32 milhões de euros (R$ 171,6 milhões).
Com isso, o elenco mineiro pode ser colocado entre os cinco mais valiosos. Fica atrás apenas de flamenguistas e palmeirenses e dos de Corinthians e São Paulo. Estes dois, inclusive, também arrecadaram mais do que o Galo em 2022. Mas são um exemplo de como apenas ter dinheiro não basta, já que não conseguem controlar suas dívidas. E as consequências disso acabam chegando ao campo.
Neste sentido, o Atlético-MG é um caso à parte. Enquanto Flamengo e Palmeiras colhem frutos de acertos das diretorias na gestão das finanças, o Galo busca força nos mecenas. Foram eles que colocaram o dinheiro para a montagem deste elenco, a partir de 2020, e para sua manutenção.
— Ter só dinheiro não resolve. Só que se tiver só gestão vai acontecer como o Fortaleza e outros casos de clubes que, em alguns anos, até encostam. Mas já migramos para um modelo onde poucos clubes se distanciaram em relação ao resto. A ideia dos 12 candidatos ao título vale para a 1ª rodada. Mas, na 38ª, vamos sempre ver Flamengo, Palmeiras e um pouco o Atlético como clubes de destaque do ponto de vista de competitividade — conclui Grafietti.
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