Esportes
Escolinha de futebol para mulheres criada se diferencia com trabalho psicossocial
O Malaguetas foi criado por ex-jogadoras de futsal universitário
Enquanto a Copa acontecia do outro lado do mundo, no Rio de Janeiro foi dado o pontapé inicial num projeto pensado há dois anos e que, embora distante, estava quase que diretamente ligado ao torneio na Austrália e Nova Zelândia — terminou no dia 20 de agosto com o título da Espanha. Em julho, na Praça Marcos Tamoyo, na Lagoa, na Zona Sul carioca, foi inaugurado o Malaguetas. Pensado como uma iniciativa de potencialização para que meninas e mulheres possam se unir, se desenvolver e se expressar através do futebol, o projeto dispõe de uma escola de futebol para meninas a partir de seis anos com metodologia de ensino de apoio psicossocial e aulas no período da manhã e da tarde.
Criado por Beatriz Monteiro, publicitária de 26 anos, e Larissa Freitas, designer de 30, o Malaguetas foi idealizado a partir de almoço entre as duas amigas, que se conheceram jogando no time da PUC-Rio. Ao todo, são cinco funcionárias, todas mulheres, sendo duas professoras, duas estagiárias e uma psicóloga, contratada para fazer o acompanhamento das alunas.
— Hoje em dia você jogar bola no Brasil, no Rio, é um atrevimento, é você ser audaciosa para continuar fazendo o que gosta num esporte muito masculinizado. Então, a gente queria esse nome provocante. Daí nasceu o nome — explicou Larissa.
— No futebol, sempre usamos a referência do masculino. Então queremos tentar desconstruir um pouco isso. E tem também até questão de crianças neurotípicas, para conseguirmos trabalhar com elas e ser inclusivo — completou.
— Um dos nossos braços de metodologia é que a gente tenha o máximo possível de inclusão. Então, para nós, a questão econômica não pode ser um impedimento para que meninas joguem. Temos um braço social com bolsa para que elas joguem e se desenvolvam, até mesmo com ajuda da psicologia. Mente e corpo trabalham juntos, então a gente precisa desse apoio — disse Beatriz.
Dessa maneira, assim como no futebol profissional, onde especialistas da área afirmam que deve existir um trabalho interdimensional entre tática, técnica, físico e psicológico para que os atletas possam chegar no mais alto nível de rendimento, o Malaguetas pretende desconstruir determinados conceitos e fazer com que outros sejam desenvolvidos a partir dessas quatro competências.
— O futebol feminino ainda está em desenvolvimento. Então, até por isso nós falamos que nossa metodologia não está fechada. Mas nós pensamos num desenvolvimento holístico do ser humano. Focamos, além dos fundamentos táticos e técnicos, em autoconhecimento, autoestima etc — destacou Beatriz.
Para sair do papel, o Malaguetas contou com o auxílio da prefeitura do Rio de Janeiro, que disponibiliza o campo para as aulas sem cobrar nenhum valor financeiro, apenas o repasse de seis cestas básicas por mês que são entregues para ONGs. No futuro, a ideia é que essas cestas sejam revertidas para as alunas do projeto que estiverem dentro das vagas sociais. A iniciativa, afirmam as fundadoras, seria também para aproximar as famílias do projeto.
— A gente coloca o Malaguetas como um movimento porque acreditamos muito na reunião de mulheres. É um movimento para elas se expressarem, desenvolverem e unirem — avisou Beatriz.
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