Esportes
Espanha quer mais mulheres na liderança de organizações desportivas
Os chefes regionais do futebol espanhol exigiram a renúncia do presidente da federação, Luis Rubiales, por agarrar e beijar a vencedora da Copa do Mundo Jenni Hermoso, enquanto o governo interino do país prometeu nesta terça-feira garantir que as mulheres desempenhem um papel maior na gestão esportiva.
Os promotores abriram uma investigação preliminar para saber se Rubiales pode ter cometido um ato de agressão sexual quando agarrou Hermoso e a beijou na boca após a conquista da Espanha na Copa do Mundo feminina em Sydney, em 20 de agosto.
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O incidente dividiu o país entre os apoiadores de Rubiales, de 46 anos, que afirma que o beijo foi inocente e consensual, e aqueles que dizem que o incidente é um divisor de águas que deve sinalizar o fim do comportamento machista e do abuso sexual casual no país.
“Foi terrivelmente nojento”, disse Guadalupe Martin, um dos manifestantes reunidos em Madri na noite de segunda-feira para exigir a renúncia de Rubiales, alguns segurando cartazes dizendo “Acabou”, que se tornou o slogan do movimento nas redes sociais.
“Eu pensei, 'o que é isso? Isso é nojento, tão fora de sintonia'. Tal abuso de poder porque ele é o presidente”, afirmou Martin.
Os representantes regionais da federação de futebol pediram na noite de segunda-feira (28) a renúncia imediata de Rubiales, mas não chegaram a propor uma moção de censura e defenderam uma reestruturação da liderança "para permitir uma nova fase de gestão no futebol espanhol" com mais igualdade de gênero.
Muitos dos representantes da federação inicialmente aplaudiram Rubiales quando ele anunciou na sexta-feira (25) que não iria deixar o cargo.
“Após os acontecimentos recentes e o comportamento inaceitável que prejudicou seriamente a imagem do futebol espanhol, os presidentes (regionais) exigem que Luis Rubiales renuncie imediatamente”, disseram em comunicado.
O ministro do Esporte em exercício, Miquel Iceta, saudou o plano da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) e acrescentou que a paridade de gênero com a presença de pelo menos 40% de mulheres na liderança de todas as organizações desportivas seria aplicada sob uma recente lei esportiva.
“Acabou, chega de discriminação para as mulheres”, disse Iceta em coletiva de imprensa. "Estamos testemunhando uma verdadeira reação social e esportiva."
(Reportagem adicional de Emma Pinedo)
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