Economia
Dívida de R$ 9 tri e petróleo pressionam inflação e exigem cautela, alerta Mendlowicz
Para Charles Mendlowicz, economista e sócio da Ticker Wealth, choque do petróleo e descontrole fiscal no Brasil travam queda de juros e ameaçam a proteção do patrimônio
A volatilidade dos mercados financeiros globais exige cada vez mais cautela e acompanhamento rigoroso do cenário macroeconômico por parte dos investidores. A avaliação é do economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero. Segundo ele, a leitura correta das variáveis é indispensável para proteger o patrimônio e tomar decisões estratégicas no curto e médio prazo.
A dinâmica internacional continua desempenhando um papel decisivo nos rumos da economia brasileira. “O conflito no Irã ainda está influenciando fortemente o que pode ou não acontecer nas nossas vidas. O petróleo com o preço próximo de US$ 100 é ruim para todo mundo”, pontua Mendlowicz. O economista alerta que a pressão sobre os combustíveis nos Estados Unidos impulsiona a inflação global, o que pode paralisar o ciclo de queda dos juros no exterior e, consequentemente, reter o afrouxamento monetário no Brasil. “Veja como uma coisa está ligada à outra. É preciso entender o cenário macro para compreender os investimentos no curto e no médio prazo”, reforça.
Dívida pública e expectativa para o Copom
No âmbito doméstico, o comportamento da inflação e a taxa básica de juros (Selic) seguem no centro das atenções. Diante da aproximação da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a expectativa dominante do mercado aponta para a continuidade no movimento de queda dos juros, acompanhada por uma projeção favorável para os índices de preços. Contudo, Mendlowicz pondera que o entusiasmo deve ser contido em razão de fraquezas estruturais no campo fiscal.
Um dos fatores mais preocupantes destacados pelo economista é a trajetória da dívida pública federal, que atingiu o patamar de R$ 9 trilhões e segue em ritmo ascendente. “A dívida pública federal chegou a R$ 9 trilhões e está subindo, o que é preocupante. O governo não tem interesse algum em reduzir suas despesas. Os gastos previdenciários estão fora de controle, assim como os juros da dívida. Podemos ver que estamos pagando juros muito altos”, alerta o fundador do canal Economista Sincero. Para ele, a falta de reformas profundas no lado dos gastos públicos mantém um risco estrutural elevado para o país no longo prazo.
Estratégia de alocação e proteção contra riscos
Diante desse contexto de incertezas fiscais e pressões externas, Mendlowicz destaca a importância de manter uma estratégia de alocação de ativos diversificada e disciplinada, evitando reações emotivas às oscilações do mercado.
Para proteger o patrimônio de oscilações bruscas e da inflação, o economista defende a diversificação baseada na metodologia Portfólio 3X, dividida entre ativos imobiliários (terra), participações em empresas (negócios) e ativos de liquidez e proteção (reservas). Charles explica que a estrutura engloba desde fundos imobiliários e ações até títulos do Tesouro Direto atrelados à inflação (IPCA+) e renda fixa atrelada à Selic ou ao CDI.
“A estrutura do Brasil preocupa. É por isso que a ideia de ter uma estratégia sólida é tão fundamental. O investidor não pode ficar paralisado só porque o mercado está bom ou ruim. Por isso é tão importante ter disciplina e constância nos aportes, e manter o foco na proteção e na geração de renda”, conclui Mendlowicz.
Sobre o Economista Sincero
Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso no mercado financeiro e no varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller "18 princípios para você evoluir" e da recém-lançada obra “As 18 leis do dinheiro”. Reconhecido pela abordagem direta e transparente, consagrou-se como uma referência no mercado: foi eleito quatro vezes o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA e apontado como uma das 30 principais vozes de Finanças e Economia do país pelo Estudo Pulso 2026/2027 da FSB Holding.
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