Curiosidades
Morre a pintora Lucia Lauguna, aos 85 anos, em sua casa, no Rio
Artista notabilizou-se na paisagem urbana da Zona Norte do Rio, em composições que iam da figuração à abstração.
Morreu nesta segunda-feira (21), aos 85 anos, em sua casa, no Rio. A causa não foi informada, e a morte foi confirmada pela galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, que a representava. Lucia deixa uma filha, Laura, e dois netos, João e Daniel.
Nascida em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, em 1941, Lucia teve uma carreira artística tardia, mas, em pouco tempo, passou a figurar entre os nomes mais destacados da arte contemporânea brasileira. Formada em Letras, ela trabalhou durante décadas como professora de literatura e, depois de se aposentar, em 1994, passou a frequentar cursos de pintura e História da Arte na Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. Entre seus professores estavam Charles Watson, Paulo Sergio Duarte, Katie Van Scherpenberg, Agnaldo Farias e Fernando Cocchiarale.
Lucia começou retratando, de forma abstrata, a arquitetura irregular do subúrbio, com uma técnica que tornou suas obras conhecidas, pintando sobre fitas adesivas coladas nas telas, que depois eram retiradas, para que o processo se reiniciasse. Assim, a pintora se notabilizou ao retratar a paisagem que observava da janela de seu ateliê, em São Francisco Xavier, na Zona Norte do Rio.
Telhados, muros, grades, fios elétricos, plantas, casas e o Morro da Mangueira, visto da janela, apareciam em suas telas ao lado de formas geométricas e campos de cor, com a paisagem sendo fragmentada, sobreposta e reorganizada em pinturas que transitavam entre a figuração e a abstração.
Após sua primeira individual em janeiro de 1998, no Centro Cultural Cândido Mendes, em Ipanema, Lucia consagrou-se em 2006, aos 65 anos, com sua inclusão no programa Rumos Itaú Cultural e como uma das vencedoras do prêmio Marcantonio Vilaça. Além da paisagem vista da janela de casa, a pintora passou também a retratar o ateliê, com seus objetos, e o jardim no quintal da casa.
— A minha pintura está muito ligada à minha vida. Cada vez que dou um passo me surpreendo com o que está acontecendo ali, vou crescendo junto — disse a artista ao GLOBO em 2016, por ocasião da sua exposição "Enquanto bebo a água, a água me bebe", no Museu de Arte do Rio (MAR).
Sua obra passou a circular por exposições no Brasil e no exterior e a integrar o acervo de instituições como o Centro Cultural São Paulo, Coleção Banco Itaú, Museu de Arte Moderna (MAM), do Rio e de São Paulo, MAR e Masp. Em 2012, participou da 30ª Bienal de São Paulo. Também expôs em instituições e galerias de países como Portugal, Alemanha, França, Estados Unidos, Reino Unido e Suíça.
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