Curiosidades
Para matar as saudades da Motown: Stevie Wonder vai celebrar com turnê os 50 anos de álbum que foi marco da carreira
Faixas de 'Songs in the key of life' serão apresentadas em 11 cidades. Detroit, terra da Motown, terá duas datas.
Para celebrar os 50 anos do álbum "Songs in the key of life", Stevie Wonder fará uma série de shows que começa em outubro na Inglaterra e termina no dia 19 de dezembro no Intuit Dome, em Los Angeles. Stevie vai apresentar todas as faixas do disco. Detroit, a cidade sede da Motown, a gravadora que formatou a soul music e foi homenageada pelo show, ganhou duas datas: 8 e 9 de dezembro.
Rock in Rio:
"Songs in the Key of Life" rendeu a Wonder seu terceiro Grammy de Álbum do Ano e traz marcos como "I Wish", "Isn’t She Lovely", "As" e "Sir Duke". Wonder produziu, compôs e arranjou praticamente todas as faixas, além de tocar quase todos os instrumentos, mas contou com participações do pianista Herbie Hancock (em "As"), do guitarrista George Benson (em "Another Star") e da cantora Minnie Riperton (em "Ordinary pain"). "Songs in the Key of Life" faz parte do Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso dos EUA.
Os shows a partir de outubro serão a primeira turnê oficial de Stevie desde 2024, quando o multi-instrumentista iniciou o tour "Sing Your Song! As We Fix Our Nation’s Broken Heart", que passou por 11 cidades. Depois disso, Stevie fez algumas aparições pontuais, incluindo uma homenagem a Quincy Jones na cerimônia do Grammy de 2025 e uma celebração a Sly Stone na cerimônia de indução ao Rock & Roll Hall of Fame de 2025.
As datas da turnê de Stevie Wonder:
13 de outubro: Utilita Arena, em Birmingham, na Grã-Bretanha
15 de outubro: Accor Arena, em Paris
18 de outubro: Royal Arena, de Copenhague
20 de outubro: Unity Arena, em Oslo
22 de outubro: 3Arena, em Estocolmo
24 de outubro: ZAG Arena, em Hannover, na Alemanha
26 de outubro: Lanxess Arena, Colônia, na Alemanha
28 de outubro: Ziggo Dome de Amsterdã
1º de novembro: 3Arena de Dublin
3 de novembro: O2, em Londres
8 de novembro: Co-op Live, em Manchester, no Reino Unido
11 de novembro: OVO Hydro de Glasgow, na Escócia
19 de novembro: Madison Square Garden, em Nova York
21 de novembro: United Center de Chicago
23 de novembro: Capital One Arena, em Washington
8 e 9 de dezembro: Fox Theatre de Detroit
19 de dezembro: Intuit Dome, em Los Angeles
Por que 'Songs in the key of life' foi um marco?
O álbum duplo foi o último de cinco que marcaram uma virada de carreira de Stevie: "Music of my mind" e "Talking book", de 1972, "Innervisions", de 1973 e "Fulfillingness' First Finale", de 1974. Nestes trabalhos, o cantor que havia começado ainda criança na Motown obteve um controle completo sobre suas criações, que o permitiu escapar dos moldes da "fábrica de sucessos" que Berry Gordy, o presidente da Motown, imprimia aos discos de sua gravadora.
Para Stevie, Gordy não só aceitou dar mais liberdade, como também assinou com o artista um contrato de renovação com a gravadora de US$ 37 milhões, com o compromisso de gravar sete álbuns: o maior negócio feito com uma estrela da música até então.
Mais importante do que o dinheiro, são as preocupações e alegrias pessoais de Stevie que inspiraram o álbum: o artista, que chegou a pensar em se mudar para Gana para tocar projetos filantrópicos pouco antes de começar as gravações, exprimiu sua insatisfação com os EUA e as dificuldades da população afro-americana em "Village Ghetto Land", "Black Man" e "Have a Talk with God". A atração pelo continente africano e sua cultura está em "Ngiculela – Es Una Historia – I Am Singing", cantada, pela ordem, em zulu, espanhol e inglês.
O disco também registra as alegrias de Stevie: em "I wish", ele relembra os dias felizes da infância, e em "Isn't she lovely", celebra o nascimento da filha Aisha. "Sir Duke" homenageia os grandes nomes do jazz, como Louis Armstrong e Duke Ellington (e teve um trecho citado no show do Rock in Rio). Um momento triste é mais conhecido pelos brasileiros pela sua versão em português: "Ordinary pain", que se tornou "Pé na tábua" na voz de artista. A reflexão sobre os perigos de ficar preso no passado em "Pastime paradise" ganhou também uma nova roupagem, mas no rap, com "Gangsta Paradise", lançada por Coolio em 1995 sem palavrões na letra, que eram comuns na obra do rapper falecido em 2022, a pedido de Stevie.
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