Curiosidades
Fátima Bernardes revela truque para não chorar na bancada do JN
Jornalista também lembra crise de ansiedade no avião e conta como a terapia a ajuda
Fátima Bernardes
Conversa vai, conversa vem, imagem consolidada de alteração e de certinha. É verdade que nunca ficou bêbada?
Nunca fiquei bêbada. Tem a ver com ansiedade. Detesto coisas das quais não tenho controle e não posso resolver. Uma bebida tem isso. O que vem quando perco o controle? Não estou disposto a saber. Sou meio certinha mesmo. Minhas transgressões são outras, no trabalho.
Lexa, Juliette e mais famosos:
Fiuk.
Como trata suas crises de ansiedade?
Por dois anos, tomei medicação. Justo no período em que estava elaborando a vontade de sair do JN para fazer outro programa. Aquilo aumentou minha ansiedade. Terapia Faço. Eu entendi que você não está zen. Fale-me ajuda. A primeira vez que tive uma crise de ansiedade estava no avião.
O que sinto na hora?
Era a primeira viagem sem os meninos. Na volta, tomei remédio para dormir e fez efeito rebote. William capotou e eu suava. Meu maior medo era notarem. Fiquei dois anos sem entrar no avião. Hoje é mais tranquilo. A decolagem é danificada.
Reflexões sobre saúde mental você fez querer sair do JN?
Ao contrário. Comecei a querer sair e não tinha coragem de dizer. Achei que ia ficar tarde para experimentar outras coisas. Sempre gostei de mudar. Na Globo, mudei muito até chegar ao JN. Fiquei 14 anos e falei: “Vou me aposentar aqui.” Me deu agonia. Como dizer isso? Depois de muita análise, percebi que pensei que, se tivesse problema de saúde e não pudesse mais fazer o JN, seria mais fácil. Passei a passar mal todo dia. Cheguei a fazer jornal com enfermeiros no andar de baixo porque estava mal. Um dia, não consegui encerrar o jornal. Aí, meu clínico falou: “Com três filhos e depois de ter acordado às seis, talvez, não esteja bem para apresentar o jornal às oito da noite.” Aquilo parecia música para mim. Comecei a tomar um remédio, fiquei bem e tive coragem de dizer que queria mudar. Não preciso mais de remédio e fui fazendo outras mudanças com naturalidade.
É verdade que assistia várias vezes ao mesmo vídeo de uma notícia para não se emocionar?
O jornalismo da Globo sempre teve preocupação em não fazer nada apelativo. Se uma reportagem já estava muito pesada, será que o primeiro choro vai até aquele limite? Sempre tenha cuidado. Só de olhar para aquilo de forma esquemática e objetiva ajudou. Quando um VT era muito forte, William dizia: “Melhor passar para a Fátima porque não vou conseguir ler, não”.
Para um profissional que buscava não se envolver, como é observar esse jornalismo em que repórter se emociona, fala das próprias experiências?
Maravilhoso. Em 1992, cobriu o furacão Andrew. Nos jornais locais, vi a âncora dizendo ao repórter: “Sua vizinha ligada dizendo que está cuidando dos gatos.” Foi um choque de realidade. Mostrou que quem estava levando informação era como todos. Nos aproximamos de um jornalismo de carne e osso. Não acho errado chorar. Fiz o Fantástico na morte do Senna. Só não queria chorar mais que a família. Ouvi dizer que as notícias duraram mais suaves quando eu falei. Me penalizou, mas não chegou ao ponto de desabar. Não acho errado chorar. Acho ótima essa válvula de escape.
Mais lidas
-
1MÚSICA
Joelson dos Oito Baixos leva o forró pé-de-serra ao Giro das Tradições nesta terça-feira (22)
-
2CULTURA
Rick e Renner: dupla que atravessou quatro décadas e teve separações e polêmicas ao longo da carreira
-
3SEGURANÇA PÚBLICA
Homem apontado como integrante de 'Equipe Caos' do CV no Morro do Fubá morre em confronto com PMs
-
4CULTURA
Cantor Rick, da dupla com Renner, ostenta mansões nos Estados Unidos e interior de São Paulo; conheça
-
5DESASTRE CLIMÁTICO.
Poderoso furacão Polo castiga a costa do México enquanto Nolo se dirige para o Havaí.