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'Nunca fiquei bêbada', diz Fátima Bernardes

Em entrevista ao videocast 'Conversa vai, conversa vem', jornalista diz que é 'meio certinha' e detesta perder o controle.

Agência O Globo - 30/07/2026
'Nunca fiquei bêbada', diz Fátima Bernardes
Fátima Bernardes - Foto: Reprodução / Instagran

Fátima Bernardes

Conversa vai, conversa vem

Maria Rita.

Cláudia Raia.

Consolidou imagem de substituição e de certinha. É verdade que nunca ficou bêbada?

Nunca fiquei bêbada. Tem a ver com ansiedade. Detesto coisas das quais não tenho controle e não posso resolver. Uma bebida tem isso. O que vem quando perco o controle? Não estou disposto a saber. Sou meio certinha mesmo. Minhas transgressões são outras, no trabalho.

Como trata suas crises de ansiedade?

Por dois anos, tomei medicação. Justo no período em que estava elaborando a vontade de sair do JN para fazer outro programa. Aquilo aumentou minha ansiedade. Terapia Faço. Eu entendi que você não está zen. Fale-me ajuda. A primeira vez que tive uma crise de ansiedade estava no avião.

O que sinto na hora?

Era a primeira viagem sem os meninos. Na volta, tomei remédio para dormir e fez efeito rebote. William capotou e eu suava. Meu maior medo era notarem. Fiquei dois anos sem entrar no avião. Hoje é mais tranquilo. A decolagem é danificada.

Reflexões sobre saúde mental você fez querer sair do JN?

Ao contrário. Comecei a querer sair e não tinha coragem de dizer. Achei que ia ficar tarde para experimentar outras coisas. Sempre gostei de mudar. Na Globo, mudei muito até chegar ao JN. Fiquei 14 anos e falei: “Vou me aposentar aqui.” Me deu agonia. Como dizer isso? Depois de muita análise, percebi que pensei que, se tivesse problema de saúde e não pudesse mais fazer o JN, seria mais fácil. Passei a passar mal todo dia. Cheguei a fazer jornal com enfermeiros no andar de baixo porque estava mal. Um dia, não consegui encerrar o jornal. Aí, meu clínico falou: “Com três filhos e depois de ter acordado às seis, talvez, não esteja bem para apresentar o jornal às oito da noite.” Aquilo parecia música para mim. Comecei a tomar um remédio, fiquei bem e tive coragem de dizer que queria mudar. Não preciso mais de remédio, e fui fazendo outras mudanças com naturalidade.

É verdade que assistia várias vezes ao mesmo vídeo de uma notícia para não se emocionar?

O jornalismo da Globo sempre teve preocupação em não fazer nada apelativo. Se uma reportagem já estava muito pesada, será que o choro vai até aquele limite? Sempre tenha cuidado. Só de olhar para aquilo de forma esquemática e objetiva ajudou. Quando um VT era muito forte, William dizia: “Melhor passar para a Fátima porque não vou conseguir ler, não”.

Para um profissional que buscava não se envolver, como é observar esse jornalismo em que repórter se emociona, fala das próprias experiências?

Maravilhoso. Em 1992, cobriu o furacão Andrew. Nos jornais locais, vi a âncora dizendo ao repórter: “Sua vizinha ligada dizendo que está cuidando dos gatos.” Foi um choque de realidade. Mostrou que quem estava levando informação era como todos. Nos aproximamos de um jornalismo de carne e osso. Não acho errado chorar. Fiz o Fantástico na morte do Senna. Só não queria chorar mais que a família. Ouvi dizer que as notícias duraram mais suaves quando eu falei. Me penalizou, mas não chegou ao ponto de desabar. Não acho errado chorar. Acho ótima essa válvula de escape.