Curiosidades
Bárbara Bandeira mistura pop e fado e agita o Rock in Rio Lisboa
Destaque do novo trabalho é “Rapariga”, dueto póstumo com Amália Rodrigues
Na noite de sábado, poucas horas depois de o DJ brasileiro Pedro Sampaio sacudir a multidão no Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa — e recebendo, nos camarins, um disco de platina tripla da Sony Music pelo sucesso de “Jetski”, uma das músicas do último verão brasileiro —, o público português voltou a se animar para reverenciar uma das revelações recentes do pop local: a cantora luso-brasileira Bárbara Bandeira .
O amor ea Copa:
Impressionante:
Atração do palco Super Bock, artista de 24 anos reuniu grande público para apresentar sucessos de uma carreira que já soma uma década. Em 2026, sua trajetória chegou a um novo momento de amadurecimento com o lançamento de “ato II”, segundo EP da série Lusa . O destaque do trabalho é “Rapariga”, dueto póstumo com o maior nome do fado, Amália Rodrigues (1920-1999).
Com quase 1 milhão de seguidores no Instagram e mais de 650 mil ouvintes mensais no Spotify — além de ter sido a primeira artista feminina a conquistar um single de Diamante em Portugal —, Bárbara contou ao GLOBO que não foi simples chegar ao legado de Amália, considerada uma verdadeira instituição nacional. O lançamento também marcou a primeira edição oficial de uma gravação inédita do fadista desde sua morte.
— A ideia partiu de mim e, como quase todas as que tenho, parecia muito louca. Mas gosto de arriscar, e foi isso que fiz. Houve todo um processo. Tive que contactar todas as pessoas de direito da Amália e, só depois de ouvirem o restante do EP, elas deram o sim. Isso me deixou muito feliz. É um reconhecimento de: “ok, conseguimos ver a Amália Rodrigues aqui” — afirmou. — Acho importante valorizarmos cada vez mais a nossa música portuguesa e trazê-la para a modernidade. Quando nos lembramos apenas do passado, ele acaba ficando meio esquecido. Há algo na tradição que pode ser levado para esse universo mais pop.
A ligação de Bárbara com o fado vem desde a infância. Foi o gênero que a revelou como cantora mirim, aos 8 anos. Em 2021, ela gravou com a fadista pop Carminho a música “Onde vais”, que se tornaria um de seus maiores sucessos.
— Ainda que eu não seja fadista — e não sou, sou uma cantora pop —, é possível perceber referências do fado em diferentes músicas minhas — explicadas. — É preciso ser fadista para seguir esse caminho do fado. Eu simplesmente não segui o percurso das casas de fado, que é o habitual para um fadista, e também me apaixonei por outros artistas, como Whitney Houston e Justin Bieber. Acho que minha carreira foi para onde tinha que ir: o pop. Eu faço pop porque pop é tudo. O pop dá liberdade para as pessoas fazerem aquilo que quiserem, graças a Deus.
Filha de mãe brasileira, nascida em Fortaleza, Bárbara Bandeira incluiu no "ato I" da Lusa , lançado em 2025, participações dos rappers brasileiros Veigh, em "Fumaça", e WIU, em "Zona Sul".
— Está no meu sangue, sou luso-brasileira. Mas sinto que, por ter crescido cá, preciso me aproximar mais da cultura brasileira. Assim que tive alguma independência financeira, comecei a priorizar minhas viagens ao Brasil, para estar mais em contato com artistas, produtores e com a minha própria identidade brasileira.
A cantora afirma que pretende lançar mais dois atos de Lusa , um em 2027 e outro em 2028. Um deles, segundo ela, deve ser totalmente brasileiro.
— Entre minhas maiores inspirações no Brasil estão Alcione e Caetano Veloso. Também gosto muito da Liniker. Tenho várias colaborações que ainda não posso revelar, mas são com artistas que cresceram ouvindo. Para mim, é um privilégio poder cantar com eles hoje e ser recebido de portas abertas — disse Bárbara, que ainda não fez shows no Brasil. — Quero que seja algo sólido. O que não falta são artistas que vão ao Brasil fazer um show ou outro e depois nunca mais pensam nisso, nunca mais voltam, nem fazem música para o Brasil. Tenho esse dever como luso-brasileiro. Para me comunicar com o público brasileiro, tenho que estar lá, conhecer o povo e entender a cultura. Não faz sentido começar a casa pelo telhado.
“Como tu”, lançado em 2023 em parceria com o cantor luso-angolano Ivandro, segue como o maior sucesso da carreira de Bárbara Bandeira — e a música que mais alcançou ouvintes no Brasil.
— Essa foi uma música que a Virgínia Fonseca coincidente, e vários influenciadores no Brasil curtiram. Acho que isso aconteceu porque ela tem uma pegada mais solta, mais afro, e acabou funcionando melhor.
A tentativa do pop global é grande, mas a cantora diz resistir à ideia de mudar de idioma ou sotaque para ampliar seu alcance.
— Não estou muito aberto a cantar em outras línguas. Gostaria primeiro de fazer algo muito difícil: levar a música portuguesa, com o português de Portugal, para outros lugares. A música brasileira, graças a Deus, tem conseguido isso, com artistas como Anitta. Fazer o português de Portugal funcionar no Brasil é algo muito raro. Portanto, esse é o meu foco neste momento, e não tente forçar um sotaque.
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