Curiosidades
Caetano Veloso aponta 'excesso' de racialização e sexualização no debate político
Em entrevista ao jornal El País, artista baiano manifesta preocupação com os rumos do Brasil
Durante passagem pela Europa com a turnê “Caetano nos Festivais”, Caetano Veloso concedeu entrevista ao jornal espanhol El País para falar sobre sua carreira e reflexões atuais. Aos 83 anos, o cantor baiano admitiu que viagens longas têm se tornado mais cansativas devido à idade, e sugeriu que esta pode ser uma de suas últimas turnês pelo continente europeu, embora não descarte novos compromissos no futuro.
Na conversa, Caetano abordou temas políticos e destacou o que considera excessos nos debates atuais: “Hoje parece haver mais exposição do que qualquer outra coisa. Quando escrevi ‘Verdade Tropical’, dizia que a esquerda precisava prestar mais atenção às questões raciais, sexuais e comportamentais. Mas hoje me parece excessivo o nível de racialização, sexualização e ênfase nas questões de gênero. Isso gera muita confusão”.
O artista também demonstrou preocupação com o cenário brasileiro e as mudanças globais. “Tento evitar uma visão excessivamente sonhadora da realidade. A música popular brasileira continua sendo uma das grandes forças culturais do país, mas hoje as coisas estão muito difíceis. O Brasil parece que não consegue se salvar. Ao mesmo tempo, volta a mim a sensação de que o país ainda pode dizer algo importante ao mundo, oferecer uma presença diferente, outra sensibilidade. Esse sentimento ainda não morreu dentro de mim”, afirmou.
Caetano relembrou ainda sua experiência durante a ditadura militar, período em que foi preso e exilado, e expressou inquietação diante do retorno de discursos autoritários no país. “Há pessoas que dizem publicamente que gostariam da volta da ditadura militar. E falam isso como se fosse algo normal. Para mim, isso é insuportável. A prisão, o confinamento e o exílio foram experiências muito dolorosas. Ficamos dois meses presos, depois vários meses confinados em Salvador e mais de dois anos exilados. Isso mudou até mesmo minha maneira de enfrentar o mundo”, relatou.
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