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Relatório aponta que Louvre deixou segurança em 'segundo plano' antes de roubo milionário de joias em 2025

Documento parlamentar critica prioridade dada à imagem do museu e expõe falhas conhecidas anos antes do furto

Agência O Globo - 13/05/2026
Relatório aponta que Louvre deixou segurança em 'segundo plano' antes de roubo milionário de joias em 2025
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O roubo das joias da Coroa francesa no Louvre, ocorrido em outubro do ano passado, abalou a França não apenas pelo valor estimado das peças — mais de US$ 100 milhões —, mas também pela indagação que paira desde então: como um dos museus mais renomados e visitados do mundo causou uma falha dessa magnitude?

Nesta quarta-feira, um relatório parlamentar divulgado na França buscou responder a essa questão. O documento foi elaborado por uma comissão de investigação criada após o furto das peças do século XIX avaliadas em mais de US$ 100 milhões.

De acordo com o relatório apresentado pelo deputado Alexis Corbière, ao qual a AFP teve acesso, as deficiências em matéria de segurança no Louvre já eram conhecidas há anos e foram apontadas em auditorias realizadas em 2017 e 2019.

Ainda assim, segundo o parlamentar, os problemas acabaram "relegados a um segundo plano, atrás dos objetivos de projeção e influência, transformados em prioridades".

O Louvre recebe cerca de 9 milhões de visitantes por ano e é o museu mais visitado do mundo.

O documento destaca que a direção da instituição priorizou iniciativas de visibilidade internacional e expansão do público em detrimento da manutenção e proteção do patrimônio.

O Tribunal de Contas francês já havia feito crítica semelhante em novembro, ao afirmar que o museu "privilegiou operações visíveis e atrativas em detrimento da manutenção e renovação dos edifícios", incluindo "especificações da segurança".

Críticas à gestão e ao modelo de escolha da direção

O furto das joias da Coroa francesa gerou forte repercussão no país por envolver peças históricas ligadas à monarquia.

Após o caso, o Parlamento abriu uma investigação sobre as condições de segurança dos museus nacionais franceses. Mais de 100 pessoas foram mortas durante a elaboração do relatório.

Corbière também criticou a "falta de controle" do Ministério da Cultura sobre decisões tomadas pela direção do Louvre.

Segundo ele, o modelo de escolha dos dirigentes da instituição — nomeados pelo presidente francês — favorece uma lógica de “capricho” presidencial.

O deputado recomenda que os futuros diretores do museu passem a ser escolhidos de forma transparente pelo conselho de administração.

Entre as sugestões apresentadas no relatório estão o aumento dos recursos destinados à segurança dos museus, ampliação do número de agentes efetivos e reajuste salarial para os profissionais da área.

O fundo de segurança criado pelo Ministério da Cultura após o roubo possui atualmente 30 milhões de euros, cerca de US$ 35 milhões. O relatório também questiona o projeto “Louvre-Novo Renascimento”, anunciado em 2025 pelo presidente Emmanuel Macron.

O plano prevê uma ampla renovação do museu para ampliar sua capacidade e permitir que o Louvre receba até 15 milhões de visitantes por ano no futuro.

Em fevereiro, o historiador de arte Christophe Leribault ficou encarregado da direção do museu após a renúncia de Laurence des Cars, ocorrida quatro meses depois do roubo.