Curiosidades
Polêmicas e protestos marcam a abertura da Bienal de Veneza 2024
Mostra internacional de artes visuais, que abre neste sábado (9), já causa controvérsias com performances e manifestações
A Bienal de Veneza 2024 iniciou-se neste sábado (9) sob forte clima de polêmica, especialmente em razão da participação da Rússia e de Israel, que já vinham gerando debates acalorados antes mesmo da abertura oficial ao público. A semana que antecedeu o evento foi marcada por acontecimentos que levantaram discussões até mesmo além das expectativas dos próprios artistas e curadores.
Pavilhão da Rússia encerra atividades após protestos
O Pavilhão da Rússia, alvo de críticas devido à invasão da Ucrânia, mal abriu e já foi fechado. A partir de protestos e do desagrado internacional, o espaço encerrou suas atividades ontem. As performances realizadas desde terça-feira (5), quando foi aberto apenas para convidados, serão exibidas em telões ao longo do evento.
Segundo a imprensa especializada, o pavilhão apostou em experiências sensoriais, com apresentações musicais de sons ancestrais e flores recepcionando os visitantes. Vídeos da Buriácia, região da Sibéria, e uma grande árvore no andar superior também chamaram a atenção. Porém, o destaque da noite de abertura ficou por conta da distribuição gratuita de vodka e da seleção musical surpreendente: um DJ russo optou por funks proibidões brasileiros, o que animou os adolescentes presentes, apesar de a maioria não compreender as letras.
Protesto ou comemoração esportiva?
Na noite de sexta-feira (8), milhares de jovens reunidos em meio a nuvens de fumaça na Praça São Marcos confundiram artistas e curadores presentes. Inicialmente, muitos pensaram tratar-se de um protesto contra a participação de Israel na Bienal, em razão do conflito na Faixa de Gaza e dos ataques no Sul do Líbano. No entanto, observando mais de perto, percebeu-se que o grupo celebrava o retorno do Veneza F.C. à série A do futebol italiano.
A confusão se justifica: durante a tarde, houve de fato manifestações pró-Palestina. A expectativa é de que essa mistura de manifestações e festas continue neste sábado, com uma celebração ainda maior para o time de futebol local.
Bebês reborn e reflexão sobre paternidade no pavilhão japonês
No Pavilhão do Japão, o artista Ai-Arakawa Nash propõe uma reflexão sobre paternidade e declínio populacional, inspirado pelo nascimento de seu filho durante a pandemia. A obra convida o público a interagir com bonecos de bebês reborn, que podem ser segurados, ninados, trocados e admirados, todos vestidos de maneira ousada, inclusive com óculos escuros.
Para quem só lembra do bebê reborn de César em "Vale Tudo", talvez seja hora de aprofundar os estudos em artes visuais.
Performance austríaca chama atenção com piscina de urina
Na disputa pela ousadia, a artista austríaca Florentina Holzinger se destacou com uma performance inusitada: ela permaneceu imersa em uma banheira na qual era despejada urina coletada de um banheiro químico utilizado pelos visitantes. Um aviso pedia que não fosse feito o número 2, para não comprometer a obra. A atuação gerou impacto, especialmente para quem nunca entrou em uma piscina improvisada ou frequentou lugares como o Aterro do Flamengo.
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