Curiosidades

Gabriela Duarte fala sobre afastamento da mãe, Regina Duarte, para buscar identidade própria

Atriz detalha decisão de se afastar da figura materna, a também atriz Regina Duarte, para não ficar associada sempre a ela

Agência O Globo - 06/05/2026
Gabriela Duarte fala sobre afastamento da mãe, Regina Duarte, para buscar identidade própria
Gabriela Duarte

Gabriela Duarte revelou uma decisão marcante tomada há cerca de 30 anos, após protagonizar a novela "Por Amor" (1997) ao lado da mãe, Regina Duarte. Contrariando familiares e pessoas próximas, Gabriela optou por recusar propostas que a mantivessem associada à imagem materna. Após o sucesso da trama de Manoel Carlos — em que ambas interpretaram mãe e filha —, surgiram convites para repetirem a parceria, mas Gabriela decidiu trilhar seu próprio caminho.

Em entrevista ao podcast "Menotalks", a atriz explicou que se incomodava com a ideia de serem vistas como uma dupla inseparável. "Eu não gostava mais da ideia de que éramos uma dupla inseparável. As pessoas depois não conseguiriam mais me ver sem estar colada a ela. E ela já tinha a trajetória dela: um caminho enorme, maravilhoso. E eu, não! Isso começou a me incomodar de verdade. Comecei a falar: 'Não quero'."

Na época, Gabriela, hoje com 52 anos, ouviu críticas de colegas, que questionavam se não temia prejudicar a carreira. "E eu falava: 'Não, eu não tenho medo'. Dizia: 'Agora vou descascar essa cebola até ver o que tem lá embaixo'. Sou ariana com ascendente em escorpião... E aí eu amarguei. Não foi fácil. E eu pensava: 'É, realmente, está acontecendo aquilo que me disseram que talvez acontecesse. E eu tive medo'."

Gabriela destacou que buscou evitar conversas diretas sobre o tema com a mãe, que se sentia confortável trabalhando ao lado da filha. "Imagina a quantidade de cumplicidade que você tem com aquela pessoa. É muito bom", relembra. "Mas virou um lugar confortável. E, para mim, começou a ficar muito ruim."

Após protagonizar a minissérie "Chiquinha Gonzaga" (1999), em que mãe e filha interpretaram a mesma personagem em fases diferentes, novas propostas surgiram para atuarem juntas, inclusive como mãe e filha em uma novela, mas o projeto não se concretizou. Ainda em 1999, dividiram o palco na peça "Honra", que ficou três anos em cartaz. Com novos convites para trabalhos em dupla, Gabriela decidiu conversar com a mãe e comunicar sua escolha de seguir caminhos distintos. "E ela não gostou", relembra.

"Minha mãe é a pessoa que me deu a vida. Mas sempre soube que eu tinha o direito de não querer ser a mesma pessoa. Eu não sou a mesma pessoa que ela. Eu me recuso a ser a mesma pessoa que ela", afirmou Gabriela. "As minhas ideias vêm disso, a minha forma de me colocar politicamente, algo que não exponho tanto, a forma como olho para meus filhos..."

Gabriela reconhece que, até hoje, é cobrada por questões ligadas à mãe. "E vou ser sempre cobrada. E aí você se pergunta: 'Mas adiantou tudo isso de ter cortado o cordão umbilical?'. Para mim, adiantou! Isso é o mais importante. Foi um ciclo que se fechou. Jamais passou pela minha cabeça negar e renegar. Mas não me sinto mais obrigada a compartilhar das mesmas ideias e andar juntinhas, como se fôssemos uma duplinha dinâmica e inseparável."