Curiosidades
'Pessoa mais próxima de mim': atriz alemã denuncia ex-marido por pornografia fake com sua imagem
Collien Fernandes afirma que Christian Ulmen, também ator, confessou após denúncia; defesa nega acusações e caso reacende debate sobre riscos dos 'deepfakes'
A atriz e apresentadora alemã Collien Fernandes, de 44 anos, denunciou o ex-marido, o ator Christian Ulmen, por criar perfis falsos em seu nome e divulgar imagens pornográficas atribuídas a ela por mais de uma década. Segundo Collien, Ulmen teria confessado o crime em 2024, após ser denunciado à polícia.
De acordo com o relato de Collien, Ulmen utilizou contas falsas para publicar conteúdos e interagir com outros homens fingindo ser a própria atriz.
A confirmação, segundo Collien, veio durante o Natal, quando, após uma conversa sobre a investigação policial, Ulmen teria admitido ser o responsável pelos perfis e conteúdos falsos.
Em entrevista à revista Der Spiegel, Collien relatou o impacto da situação: “Meu corpo me foi roubado durante anos”, disse ela ao descrever o momento da confissão e o choque ao descobrir que o autor era "a pessoa mais próxima", em referência ao então marido.
Segundo a atriz, as ações envolveram cerca de 30 pessoas, incluindo o envio de imagens falsas, a criação de relacionamentos virtuais e episódios de sexo por telefone. Em alguns casos, áudios gerados por computador foram usados para imitar sua voz.
Collien afirma que o abuso continuou mesmo durante a produção de um documentário sobre deepfakes em 2024, tema no qual já atuava em campanhas de conscientização.
A defesa de Ulmen nega todas as acusações. Em nota, os advogados Christian Schertz e Simon Bergmann afirmaram que ele não criou nem distribuiu pornografia deepfake “da Sra. Fernandes ou de qualquer outra pessoa”. O ator não se manifestou além dessa declaração.
Repercussão e debate sobre violência digital
A denúncia teve grande repercussão na Alemanha e intensificou o debate sobre violência digital contra mulheres. A ministra da Justiça, Stefanie Hubig, anunciou a aceleração de medidas para criminalizar explicitamente a produção e distribuição de deepfakes sexualizados.
O Parlamento alemão realizou um debate de emergência sobre o tema. “Milhões de mulheres são deixadas para lidar sozinhas com suas experiências de violência”, afirmou Lena Gumnior.
Também foram registradas manifestações em cidades como Berlim, com pedidos por regras mais rígidas para combater crimes digitais.
Collien informou que apresentou uma nova denúncia na Espanha, alegando maior eficácia das autoridades locais na proteção de direitos.
O caso foi comparado ao de Gisèle Pelicot, na França, e ampliou o debate internacional sobre abusos e crimes digitais.
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